Arte Marcial – Ferramenta de Autoconhecimento

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As artes marciais não são apenas formas físicas de combate, nelas estão inseridas um vasto conteúdo filosófico e instrucional para a vida.

É bem na verdade, o fim último das artes marciais é a sua utilização no combate corpo a corpo, seja pelas forças de segurança urbana, seja pelas forças militares de guerra. Contudo, existem outras abordagens para as artes marciais e é dessas abordagens que trataremos aqui.

Em primeira análise, é comum vermos as artes marciais como esportes de combate. Sim, muitas delas foram transformadas em esportes marciais. Isso ocorreu, inclusive como forma de se preservar tais tradições em um mundo moderno.

Entretanto, falando das artes japonesas, desde a instauração do último shogunato (Tokugawa) e o inicio da Era Edo, com a paz estabelecida no Japão, as artes marciais passaram por constantes mudanças, passando de artes puramente de guerra (Bujutsu), para caminhos de conhecimento (Budo).

Com isso, a rudeza dos tempos de guerra foi dando lugar a sofisticação e refinamento do guerreiro e de suas técnicas de combate. A figura do guerreiro nos tempos de paz foi se modificando, se aperfeiçoando. A necessidade de homens preparados para a guerra se manteve e, por esse motivo, o treinamento não foi relegado, mas foi necessário também preparar o homem para outras atividades como a fluência nas letras, ou seja, o caminho da erudição.

Embora a preocupação com o desenvolvimento espiritual e mental do guerreiro samurai já datasse de muito antes da Era Edo, foi nesse período que houve grande avanço no que conhecemos como samurai hoje. Questões como etiqueta, vestuário, ética e honra foram enfatizados no guerreiro, que deveria sempre estar preparado para a guerra, mas sabendo se portar nos tempos de paz.

Trazendo este conceito para os dias atuais, temos que o homem moderno que trabalha o seu lado guerreiro é aquele que treina constantemente sua arte marcial e vive os princípios e ensinamentos insculpidos em nesta arte. É evidente que vivemos hoje em um estado evolutivo de consciência, em que o homem consegue compreender melhor o mistério e segredos da existência humana e do cosmo. Assim, deve ele entender que nesse caminho de evolução, a arte marcial será uma ferramenta auspiciosa para a humanidade.

Nesse sentido, é necessário que os atuais Mestres se desconectem da visão estritamente competitiva, para que possam guiar seus discípulos pelo real propósito das artes marciais que é o autoconhecimento e a evolução do espírito. Precisam compreender que a competição é apenas uma via para se atingir o fim e não é o fim em si mesmo.

Assim, é importante mostrar que o caminho das artes marciais, é uma via em que se deve buscar o aperfeiçoamento por meio de um forte treinamento físico, enquanto trabalha outros aspectos do desenvolvimento pessoal, como o estudo e leitura em diversos níveis e assuntos. Somente buscando o conhecimento e trabalhando o autoaperfeiçoamento é que poderemos, então, entender nosso real propósito na vida.

As artes marciais devem ser uma ferramenta neste caminho evolutivo; seja praticando como caminho de autoconhecimento, seja no campo esportivo, em ambos os casos, deve servir como ferramenta de desenvolvimento pessoal e de uma consciência maior.

Portanto, busque na arte marcial, um meio para se autoconhecer, para se desenvolver física e mentalmente se tornando mais forte e capaz

Ganbarimashou!!!
Vamos fazer o nosso melhor!!!

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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