Ninjutsu

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A ARTE DOS GUERREIROS SHINOBI

O Ninjutsu, também conhecido pelo termo Ninpô, é uma arte marcial japonesa que surgiu a partir da necessidade do emprego de espiões (Ninja) durante o período medieval japonês (século VI). Consistia num conjunto de técnicas que capacitavam os agentes a agir em todas as situações num campo de batalha.Contudo os termos Ninjutsu, Ninpô e Ninja são relativamente recentes, uma vez que passaram a ser empregados após a Segunda Guerra Mundial. Documentos históricos indicam outros nomes, dentre os quais o mais comum seria “Shinobi” que define os guerreiros espiões que trabalhavam a serviço de grandes senhores feudais e até mesmo do Shogunato.

Muito se especula e fantasia sobre a origem desta arte de guerreiros secretos; entretanto, não se pode explicar com exatidão a origem de uma arte que se desenvolveu no anonimato, em recônditos que não se pode precisar. O que se sabe é que foi utilizada como meio de se manipular a política e religião dominadas por Samurais e Monges, no Japão feudal.

A utilização de Ninjas (Shinobis), dentro dos diversos setores da sociedade japonesa era tão freqüente que cada Damiô (Senhor Feudal) mantinha o seu próprio grupo de espiões. “Os guerreiros que posteriormente seriam chamados de Ninjas, mas que não adotavam para si mesmos tal rótulo, conservando-se ocultos o máximo possível”. (ALVES, p. 20, 2011).

Esta estratégia adotada pelos senhores feudais do Japão antigo, se justifica nos diversos tratados militares da estratégia, dos quais o de Sun Tzu é o mais provável, em que se defende o amplo uso da espionagem como arma suplementar na guerra.

“Um exército sem agentes secretos é como uma pessoa sem olhos e ouvidos.”

Devido a aura de mistério criada em torno destes guerreiros, muitas vezes devido a falta de informação sobre os mesmos, o medo foi sua maior arma, o anonimato o meio mais eficaz de se atingir o objetivo.

Dentre as lendas mais conhecidas sobre a origem destes guerreiros estão as de que eram espíritos da montanha (Kami) ou seres mitológicos – metade homem, metade pássaro – (Tengu), que habitavam os bosques e as montanhas de Sojobo.

Uma segunda lenda conta que Samurais vencidos em guerra e monges nômades chamados de Yamabushi, se juntaram em fuga das autoridades constituídas no Japão feudal, se refugiando nas montanhas, local onde, supostamente, haveria de encontrar estes seres mitológicos, que os ensinariam as artes secretas do Shinobi, para que eles pudessem se vingar de seus algozes, que agora dominavam a política e religião do Japão antigo.

O que se tem de conclusões históricas sobre estes guerreiros é que, provavelmente sua origem se deu no Tibet e regiões distintas da China, através dos monges tibetanos e shaolin que trabalhavam para a Dinastia Ming, contra os Manchú, com técnicas de terrorismo, espionagem e resistência armada, porém, ainda de forma rudimentar não foram capazes de deter a invasão, que se estabeleceu como Dinastia Chin, na antiga China.

Neste período, após o estabelecimento da dinastia Chin, os templos foram destruídos, fazendo com que muitos monges se refugiassem em outras regiões ou até mesmo migrassem para outros países, entre eles o Japão.

A integração entre estes monges, com outros guerreiros de diferentes localidades, juntamente com ronins do Japão e outras artes marciais mais exotéricas deu origem a estilos diferentes de técnicas marciais e de espionagem que chamamos hoje de Ninjutsu, cujo estudo é comumente dividido em 9 tradições.

Esse fato ocorreu nas regiões montanhosas do Japão, conhecidas como Iga e Koga, onde os imigrantes tibetanos e chineses tiveram seus primeiros contatos com ronins, com quem constituíram famílias de guerreiros shinobis (ninja), dando origem às seitas Shingon e Shugendo e posteriormente aos famosos Yamabushis (monges guerreiros da montanha).

O Japão foi a terra fecunda para o desenvolvimento das técnicas, filosofia e arte do Ninjutsu. Devido a sua forte inclinação para guerras e manipulações do poder na corte imperial e posteriormente nos corredores do palácio do Shogun, era de suma importância ter dentro destes ambientes, pessoas de confiança, capazes de darem suas vidas pela causa que acreditavam, mas que ao mesmo tempo fossem praticamente invisíveis aos olhos dos orgulhosos samurais.

Essa invisibilidade, muitas vezes foi confundida com poderes místicos, mas na verdade tratava-se de uma habilidade nata que estes guerreiros tinham de se misturar entre os serviçais ou pessoas comuns, conforme fosse a necessidade. Muitas vezes, o shinobi passava toda uma vida para conseguir se infiltrar e depois de infiltrado poderia viver o resto da vida como um empregado serviçal ou um samurai do alto escalão somente para poder passar informações ao seu senhor, esta era a primazia do guerreiros Ninja Shinobi.

Embora o samurai possa ser traduzido como “aquele que serve” e sua história remonta ao sentido do homem reto, que cultiva uma vida de virtudes e contemplação, através da prática das artes guerreiras do Kobudo e do estudo aprofundado do Bushido, muitas vezes os nobres e lideres feudais japoneses não seguiam estes códigos e atuavam como verdadeiros déspotas diante de uma sociedade altamente elitista e organizada em rígidos códigos de conduta.

Nesse sentido, alguns historiadores, bem como a Bujinkan Budo Taijutsu defende que a idéia de que estes guerreiros muitas vezes agiam como justiceiros que defendiam a idéia de resistência aos privilégios da classe guerreira dos samurais, mas esta hipótese não guarda qualquer referência concreta, sendo apenas mais uma teoria.

O que se tem de concreto é que estes guerreiros foram utilizados justamente pela classe de samurais e seus senhores feudais – Daimios – na busca de segredos de outros Daimios ou para favorecer o governo do Shogunato.

Registros históricos apontam para a utilização destes guerreiros desde a era Asuka (550-710), pela corte do príncipe Shotoku Taishi, que supostamente criou o termo Shinobi, para designar o corpo de guerreiros a seu serviço, mas que trabalhariam secretamente infiltrados nos diversos setores de sua corte.

O desenvolvimento das técnicas e estratégias mais refinadas do shinobis a serviço do governo se deu no período Heian (795-1185), quando a Corte Imperial atingiu o seu ponto mais alto de status, sendo marcado por sua arte, especialmente poesia e literatura. Porém, sendo considerado o período Kamakura (1192-1333) como o de maior influência e utilização destes guerreiros nos negócios do governo.

Nesta época, o Imperador já não detinha o poder de governar o Japão, sendo mais uma figura representativa entre o poder temporal e o divino. Em seu lugar, assumindo as rédeas da Nação estava o Shogun, que centralizava todo o poder em suas mãos.

Porém, durante o período Azuchi-Momoyama, em que Oda Nobunaga se torna Shogun, se sentindo incomodado pelo com a existência de espiões em sua residência e governo, resolve imprimir uma verdadeira caça aos Ninjas.

Devido a suposta acusação de subversão de alguns monges que contribuíam com o serviço dos ninjas, Oda Nobunaga determina a destruição do templo Helzan e em 03 de novembro de 1581, ordena o ataque a comunidade de Iga, onde se estabelecera a seita Shingon e os monges Yamabushis; Naquela manhã, 46.000 guerreiros Bushis invadiram a província, encontrando uma resistência de 4.000 ninjas que lutaram sob o comando do Jonin (chefe Ninja) Sandaryu Momochi. Após uma semana de intensas batalhas, o exercito de Oda Nobunaga saiu vitorioso, e os poucos ninjas sobreviventes fugiram ou se refugiaram em outras localidades.

Sob a proteção de outros lideres feudais, os ninjas remanescentes conseguiram se infiltrar em entre o povo, se refugiaram nas montanhas e florestas. Até que, com o fim das tensões, alguns ninjas, com apoio de alguns Daimios, conseguiram lugares na corte de Nobunaga.

Seu sucessor, Tokugawa Ieyasu, foi o Shogun que, talvez tenha melhor utilizado o serviço dos guerreiros shinobis (ninjas), a seu favor. Com uma política isolacionista e centralizadora, se assegurou que o poder dos Tokugawa duraria por várias gerações. E nessa empreitada Jonin Hattori Hanzo foi o seu maior aliado.

Com o apoio dos grandes Daimios e sob a proteção dos clãs ninjas Tokugawa conseguiu acender ao cargo de generalíssimo (Shogun), unificando o Japão e instalando a paz e ordem que duraria séculos. Os ninjas a serviço do governo trabalhavam como policiais, detetives, chefes de seções do governo, bem como infiltrados nos diversos clãs de samurais, por todo o império, formando uma rede de informação que sustentou o domínio do Japão pela classe guerreira dos samurais, no governo que ficou conhecido como Shogunato.

Posteriormente, o serviço dos shinobis foi utilizado pelo Imperador Meiji, para por fim a era dos Shoguns e ao Shogunato; os serviços dos ninjas continuaram a ser utilizados na guerra sino-japonesa (1895) e também na Segunda Guerra Mundial (1945).

Não se sabe, porém, se ainda hoje existe atividade destes guerreiros, para fins de espionagem, porém suas técnicas são ensinadas em academias como forma de defesa pessoal e filosofia de vida, excluídas, é claro, as técnicas mais militarizadas.

O ninjutsu não é um esporte e sim uma defesa pessoal e não há campeonatos, por isso não possui federação.