História do Aikidô

Historia do Aikidô

A história do Aikidô se confunde com a do seu fundador Morihei Ueshiba.

O Aikidô tem sua fonte maior no Daito Ryu Aikijujutsu, pois, após ter contato com esta arte marcial, estudando suas formas e aplicações, juntamente com o conhecimento já adquirido de outras artes marciais, inclusive o Kenjutsu/Iaijutsu, desenvolveu um Budô que fosse ao mesmo tempo uma arte de auto-defesa e uma religião.

Mas supor disso que o Aikido se tornou uma religião não é só incorreto, mas inverídico. O que acontece é que o Aikido tem profundas raízes nas religiões do Japão, donde provem sua filosofia.

Ueshiba via o Daito Ryu AikiJiujitsu, desenvolvido por Minamoto Yoshimitsu, como uma simples forma de combate, mas percebeu que essas técnicas marciais que praticava e ensinava, poderiam ser usadas para se realizar a “purificação” do homem e assim se harmonizar com o universo.

O seu contato na infância e juventude com o Xintoismo e mais tarde com a seita Omoto-Kyu e o estudo do kotodama, levou Ueshiba a deixar as prátivas convencionais do Daito-Ryu ju-jutsu e do Yagyu-Ryu e a desenvolver um estilo próprio, usando e aplicando os princípios e técnicas em conjunto para quebrar as barreiras entre a mente, espírito e o corpo. Em 1922, esta aproximação foi chamada de Aiki-bujutsu, mas conhecido pelo público em geral como Ueshiba-Ryu Aiki-Bujutsu.

Como Morihei Ueshiba era uma pessoa muito religiosa, buscou impregnar seu budô, que posteriormente passaria a ser chamado de Aikidô, dos princípios do Xintoísmo, principal religião do Japão, que tem como princípio que o homem tem natureza divina, mas em razão de suas ações, fica “sujo”, e é necessária uma purificação, que consta de um treinamento austero.

Segundo o Xintoísmo, o homem deve se integrar com a natureza e com o Universo para poder recuperar sua pureza e, conseqüentemente sua divindade.

O ponto culminante que deu forma e inspiração para Ueshiba fundar o Aikido, aconteceu em 1925, quando um instrutor de Kendo, desejando testar a reputação de O-sensei, visitou o seu Dojo. Conta-se que durante o combate, o espadachim tentou acertar Sensei Ueshiba diversas vezes, porém, por mais que o espadachim atacasse e se esforçasse, não conseguia atingir ao Ueshiba que se esquivava, e esse processo se repetiu por algum tempo até que o samurai se cansou e foi embora sem atingir sequer um golpe em O-sensei.

Depois que o espadachim se foi, Ueshiba sentou-se em seu jardim para descansar. Repentinamente sentiu uma sensação estranha, como se raios dourados luminosos saíssem da terra e envolvessem seu corpo; ele podia entender tudo a sua volta, a natureza se revelava para Ueshiba de forma nunca antes experimentada. O-sensei percebeu que seus movimentos marciais serviam para levá-lo a aquele sentimento de iluminação espiritual. Ele concluiu, a partir daí, que o significado verdadeiro do Budo é o amor.

Morihei Ueshiba passou a partir de então, a modificar os katas do Aiki-bujutsu de forma a transformá-los em técnicas mais suaves que poderiam ser praticadas por qualquer pessoa, para que servissem como um exercício físico, espiritual e não apenas como uma arte de guerra para eliminar o inimigo, então achou melhor modificar o nome de sua arte, passando a se chamar Aiki-budô.

Com maior divulgação, o Aiki-budô atraiu grande número de seguidores ilustres, incluindo o Almirante Isamu Takeshita, que no mesmo ano (1925) levou Morihei Ueshiba para Tókio, onde se apresentou para o Primeiro Ministro Gombei Yamamoto e ensinou, por vinte e um dias, no Palácio da Coroa do Principado.

Nos anos seguintes (1926 e 1927), Morihei voltaria a Tókio, a pedido de seu amigo Isamu Takeshita, para dar aulas na Corte Imperial e no Ministério da Marinha. Porém, no final da primavera, devido a uma doença intestinal, teve que retornar a Ayabe.

Em 1930, já morando em Tókio permanentemente com sua família, montou um dojô de 08 tatames em sua própria casa, onde canalizou todas as suas energias para estabelecer-se como um mestre em artes marciais na capital.

Após um episódio com um major-general chamado Makoto Miura, em que Ueshiba tinha sido desafiado e em poucos minutos derrotou seu oponente, este se converteu imediatamente em seu aluno e lhe abriu as portas da Academia Militar, onde Ueshiba passaria a lecionar seu Aiki-budô.

Em 1931, foi aberto seu novo dojô, agora com 80 tatames, inaugurando-o como Kobukan, em Wakamatsu-cho, onde ainda funciona até os dias de hoje. Nos 10 anos seguinte o Aiki-budô teve sua primeira fase de dourada. Época em que o Kobukan era conhecido como dojo do inferno, devido a intensidade extraordinária de seus treinos.

Nestes dez anos, Morihei passou a ensinar em diversos outros locais entre Tókio e Osaka. O dojô principal era o Otsuka Dojô, em Koishikawa (patrocinado por Seiji Noma, chefe administrador do Kodansha), o Fujimi-cho Dojô, em Iidabashi e, em Osaka, o Sonezaki Dojô, o Suida Dojô e o Chausuyama Dojô.
Nesta época o aikido passou a ser ensinado nas delegacias de polícia, a pedido de Kenji Tomita, então, secretário chefe do gabinete do governador da prefeitura de Nagano.

Nos anos seguintes a popularidade do budô ensinado por Morhei Ueshiba ganhou grande popularidade em todo o mundo marcial, o que levou Ueshiba até a Manchuria novamente, terminando por enfrentar o campeão de sumo, e imobilizando-o com um dedo. Mesmo durante a Guerra do Pacífico, ou melhor, da II Guerra Mundial, Ueshiba, continuou a lecionar sua arte a atuar como conselheiro em várias instituições.

Em 30 de abril de 1940, foi concedido ao Kobukan o status de fundação, incorporada ao Ministério da Saúde e Previdência e o Aiki-budô foi incorporado a academia militar como disciplina curricular oficial. Com a guerra no pacífico, um após o outro, os estudantes do dojô de Tókio foram enviados ao fronte. Então, seu filho Kisshomaru Ueshiba assumiu a responsabilidade de dirigir o Dojô.

Neste mesmo ano, o aiki-budô foi incorporado na Butokukai (um órgão governamental que uni sob sua administração, todas as artes marciais do Japão) Foi nesta época que o nome Aikidô passou a ser usado.
Foi nesta época que Ueshiba teve a segunda visão do grande espírito da paz. O que o motivou a restabelecer as bases da organização do Aikidô na prefeitura de Ibaragi, a fim de preservar o espírito do Budô, para as futuras gerações.

Então, Kisshomaru Ueshiba ficou encarregado do Wakamatsu-cho, enquanto Morihei Ueshiba se mudaria para Iwama, com sua esposa, onde iniciou a construção do que ele chamou de ubuya (sala do nascimento), ou local secreto, sagrado do Aikidô, que foi concluído pouco antes do término da II Grande Guerra, em 1945.

Devido ao final trágico da II Guerra Mundial para o povo japonês, o dojô de Tókio serviu como abrigo para mais de 30 famílias, o que impossibilitou a continuidade dos treinos. Resultando na transferência da sede do Aikido para Iwama.

Com o final da guerra, as artes marciais sofreram um declínio, o que fez com que o futuro do Aikidô fosse duvidoso. Mas a perseverança de Morihei Ueshiba fizeram com que o Aikidô retomasse seu lugar no Japão pós-guerra.

Em 09 de fevereiro de 1948, o Ministério da Educação deu permissão para o restabelecimento do Aikikai, com reservas.

A partir de 1950 Morihei Ueshiba reiniciou sua peregrinação pelo Japão; agora com 70 anos, sua técnica fluía livremente.

Em 1954 a Aikikai foi reconhecida como Fundação Aikikai: o Hombu Dojô do Aikidô. Dois anos depois, a Aikikai fazia a sua primeira demonstração de sua arte, depois da guerra. A apresentação durou 5 dias, deixando ótima impressão em todas as autoridades estrangeiras presentes.

Mesmo sendo contra demonstrações em público, Morihei entendeu que o Japão entrara em uma nova era e, portanto, era necessária a lembrança de antigas tradições para elevar o espírito do povo japonês rumo o desenvolvimento. Com isso o Aikidô foi gradativamente se tornando mais popular e com isso, aumentando o número de estudantes em todo o mundo.

Em 1960, Morihei Ueshiba se apresentou em um programa de TV, o que resultou em grande popularidade para sua arte. Os anos seguintes foram de grandes realizações em todo o mundo, com a fundação de entidades e dojôs de Aikidô.

Em 12 de janeiro de 1968 foi concluída a obra do novo Hombu-Dojô, estando Morihei Ueshiba presente e fazendo uma bela demonstração de sua arte. No ano seguinte, porém, em 25 de abril de 1969, faleceu o Grande Mestre Morihei Ueshiba.

O-Sensei interpretou a arte da paz num sentido mais amplo e acreditou que seus princípios de reconciliação, de harmonia e de cooperação poderiam se aplicar bravamente a todos os desafios que nós enfrentamos na vida, em relacionamentos pessoais, em como nós nos interagimos com a sociedade e a natureza, no trabalho e nos negócios. Acreditou que todos poderiam ser guerreiros para a paz.

Juntamente com seu filho, Morihei Ueshiba passou a difundir sua arte marcial e fundou o Aikido no mundo. O governo japonês reconheceu oficialmente o Aikido em 1940. Quando Ueshiba se afastou em 1969, o governo declarou-o um tesouro nacional sagrado do Japão.