Budô – Artes Marciais

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As artes marciais podem ser descritas como disciplinas físicas e mentais sistematizadas em diferentes níveis de conhecimento, chamados graus, nos quais o praticante vai evoluindo conforme for aprendendo a dominar suas técnicas. A diferença da arte marcial para a simples violência física de algumas lutas repousa na filosofia de desenvolvimento do potencial humano de seus praticantes para se tornarem pessoas mais capazes e dinâmicas no meio social; além, é claro, do fortalecimento do corpo e da mente para que o praticante possa se desvencilhar de qualquer situação de risco.

Desde os tempos mais remotos até os dias atuais, já foram criados diversos estilos, sistemas e escolas de artes marciais. Na atualidade, porém, estes estilos ou sistemas são praticados por diferentes razões que incluem: prática esportiva, manutenção da saúde, defesa pessoal, combate real (forças de segurança e armadas), desenvolvimento do potencial humano de forma a disciplinar a mente, forjar o caráter e o crescimento da autoconfiança.

HISTÓRIA

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O termo “Artes Marciais” tem sua origem nas artes da guerra, havendo muita controvérsia sobre onde primeiro se desenvolveu; para Howard Reid e Michael Croucher , os primeiros registros de artes guerreiras se deram ainda na época pré-histórica, quando se estabeleceram as primeiras tribos. Mas somente se organizaram em sistemas com o estabelecimento das primeiras civilizações, momento em que houve a necessidade de exércitos profissionais, para defender a manutenção do poder.

Inclusive, diferente do que muitos defendem, sobre a criação dos instrumentos de combate, como sendo na China, observamos que já na Epopéia de Gilgamesh , escrita por volta do século XVIII a.C. na Mesopotâmia – um dos mais antigos centros da civilização – mostra que, naquela época, a maioria das armas de guerra já tinha sido inventada. Só faltavam os explosivos que surgiram quando os chineses inventaram a pólvora, cerca de vinte e oito séculos depois.

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Outrossim, um dos testemunhos mais antigos da existência de artes marciais (corpo-a-corpo), a ser levado em conta com muito cuidado, nos seja dado por duas pequenas peças babilônicas datadas entre 3000 e 2000 a.C. Ambas são representações de dois homens a lutar.

Se pensarmos nestas civilizações, concluímos que eram locais muito propícios para o desenvolvimento das técnicas de luta, inclusive com o intercâmbio entre nações vizinhas. É evidente que em outros locais também se desenvolveram técnicas de combate, como podemos citar a Índia, China, Laos e Japão.

Indagamos se acaso era possível que, na época, certas idéias fossem transmitidas por toda a Ásia? Sim, era, e muito mais do que nos parece à primeira vista. Sabemos, por exemplo, que o povo da cultura da Harapa, uma antiga civilização do norte da Índia, fazia comércio com a Mesopotâmia por volta de 2500 a.C.

Outra referencia muito conhecida é a criação de um sistema de exercícios físicos e respiratórios pelo príncipe indiano Sidarta Galtama – O Buda – que observando o movimento dos animais, segundo a lenda, entre 500 a.C, criou o sistema marcial que, mais tarde, Bodhidarma (28º patriarca do budismo) ensinou aos monges do Mosteiro Shaolin, na China. Daí sendo levado, tempos depois, para a Koreia e o Japão.

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Importante observar que o termo marcial, deriva de Marte, nome do deus grego da guerra, também conhecido por Ares. Portanto, o entendimento ocidental originário é que as artes de combate são marciais porque derivam das técnicas de combate passadas aos homens, pelo deus da guerra.

Desta forma, poderíamos a priori considerar artes marciais, todas aquelas que eventualmente possam ser utilizadas na guerra, tais como as técnicas de combate corpo-a-corpo (Karatê, Tae-Kown-Dô, Jiu-Jitsu, Aikidô etc…), bem como tiro com arma de fogo, hipismo, tiro com arco, entre outras praticadas pelas forças armadas e forças de segurança.

Entretanto, no decorrer das eras, se convencionou chamar apenas Artes Marciais, aquelas técnicas criteriosamente sistematizadas em movimentos técnico-marciais bem definidos e que tenham determinado arcabouço sócio-filosófico, o que significa que durante o desenvolvimento das artes marciais nos séculos que se seguiram até os dias atuais, elas se distanciaram das habilidades puramente da guerra, mas agregaram também um profundo conteúdo filosófico, se tornando verdadeiros Caminhos (Dô) de conhecimento.

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Em geral, as habilidades de guerra são mais grosseiras que as das artes marciais, uma vez que a primeira não guarda qualquer sentido filosófico, mas apenas o sentido de, em situação de conflito, eliminar o oponente no menor tempo possível e de forma mais eficaz; enquanto nas artes marciais exista todo um conteúdo filosófico que lhe confere o sentido de “arte” e que tem como ensinamento que em situação de conflito seu praticante deve se desvencilhar da situação, de forma a causar o menor dano possível ao oponente, de preferência sem lhe desferir qualquer golpe ou agressão.

Em termos ocidentais, historicamente, mesmo depois do fim da religião politeísta dos gregos e romanos, o termo foi mantido para definir as técnicas utilizadas na guerra. Assim, quando da aproximação dos povos ocidentais com os povos orientais, principalmente da China e Japão, as técnicas de combate utilizadas pelos guerreiros das respectivas nações foram chamadas de artes marciais (pelos ocidentais), em referência às artes da guerra.

No entanto, as técnicas de combate, utilizadas na guerra eram chamadas de Bujutsu no Japão, em que a palavra Bu, tem significado de Guerra ou Guerreiro e Jutsu significando arte; posteriormente foi substituído pelo termo Budo, do qual passou a significar Caminho do Guerreiro. Na China, nos parece que o nome utilizado para determinar o conjunto de técnicas de combate, utilizadas na guerra seja Wu Shu, do qual deriva o Kung Fu.

A diferença, entretanto, existente entre as artes guerreiras ocidentais e as artes guerreira orientais estava basicamente no refinamento que os orientais buscavam dar as suas artes de forma individual, enquanto os ocidentais estavam mais preocupados com o resultado do conjunto.

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Atualmente, o termo Arte Marcial se globalizou, sem, contudo, apagar os termos regionais tais como Budo para as artes marciais modernas do Japão ou Kobudo, as artes antigas do Japão.

O certo é que a arte marcial que surgiu no ocidente, sendo levada ou não para a Índia e China, foi bem diferente da que foi desenvolvida nestes países e mais tarde na Koreia e Japão, que culminou nos sofisticados sistemas de hoje em dia.

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Preferimos, portanto, nos filiarmos à corrente de que os diversos estilos, sistemas ou escolas de artes marciais orientais derivam daquele sistema criado por Sidarta Gautama – O Buda – e que mais tarde foi levado para a China, pelo monge budista Bodhidarma (28º patriarca do Budismo), e depois para o Japão, Korea, Tailândia e etc.

Em palavras simples, podemos definir atualmente artes marciais como sendo disciplinas com um passado guerreiro; são estilos de combate influenciados pelas peculiaridades de cada época, sociedade ou local onde se desenvolveram e que atualmente contam com o eficiente regramento desportivo. Podemos dizer que nasceram pela necessidade de defesa contra os perigos das suas determinadas épocas, mas que se desenvolveram como atividades físicas até se converterem em profundas doutrinas filosóficas que buscam o equilíbrio entre o corpo, a mente e o espírito para o desenvolvimento do potencial humano.