Como tirar a hostilidade do coração

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O Budo (arte marcial) tira a hostilidade de nosso coração e transforma aqueles que nos parecem inimigos, não mais em inimigos, era o ensinamento de muitos mestres, entre eles Morihei Ueshiba.

Mas o que exatamente significa “tirar a hostilidade de nosso coração” e “transformar aqueles que nos parecem inimigos, não mais em inimigos?”

Hoje a violência em nossas cidades é cada vez maior e a brutalidade dos crimes assusta e choca as pessoas de bem. Mas qual é a origem dessa violência? Conflitos sociais, ideológicos, fatores econômicos, falência do sistema de educação; enfim, são muitos os fatores.

Num mundo como este, é possível tirar a hostilidade de nosso coração e nos livrar da animosidade?

Sim, é possível, a partir de um entendimento de que cultivando uma consciência mais altruísta e solidária, poderemos ajudar ao nosso próximo e servir a toda a humanidade!

“Tirar a hostilidade de nosso coração”, entretanto, não significa submeter-se à vontade de outrem contra a sua própria vontade.

Muito menos forçar o seu ponto de vista para as pessoas. Devemos, pois, tentar guiar as pessoas para um caminho de serenidade e harmonia, extinguindo, assim, o sentimento de hostilidade dentro do coração.

Mas mesmo que a humanidade esteja aos poucos rumando para este entendimento, ainda existem muitos conflitos. Isso acontece sem dúvida devido ao fato de que o coração das pessoas ainda esta voltado para o seu próprio eu, sem uma observância do coletivo, uma visão egoísta. A filosofia de “contanto que eu esteja bem, por que devo me preocupar com os outros?”

É preciso entender que somente pensando coletivamente é que poderemos diminuir as diferenças sociais e aproximar as pessoas para trabalharmos por um futuro melhor.

O Fundador do Aikido, Morihei Ueshiba, foi inspirado por Deus para criar uma técnica para todos, que não seja usada para derrotar ou diminuir seu parceiro, mas sim para extinguir a animosidade e cultivar um mundo de amor. Ele recebeu a base dessa missão divina por meio da iluminação e, no fim, a missão de todas as artes marciais (budo) é parar com o conflito e construir um mundo pacífico na Terra.

Um dos poemas do Fundador diz:

“Ponha em movimento
O poder do cosmos
Usando o Aiki:
Crie um lindo mundo
E adote a paz.”

“Se não atingirmos um ponto em que todos os indivíduos adotem esse espírito do qual o Fundador falava, livre de animosidade e livre da percepção de inimigos o mundo não poderá nunca estar realmente em paz. Por mais maravilhoso que seja um sistema (governo, educação, etc.), se o coração das pessoas não se tornar bom, o objetivo desse sistema maravilhoso não se concretizará.” (SUNADOMORI KANSHO)

O espírito do Budô é o amor (ágape). É o caminho que nos leva à união total com o universo. Nossa missão no mundo é iluminarmos pelo caminho da paz, enchendo o mundo de amor e reverência pela vida.

Esse “espírito do universo” é amor incondicional. O amor que existe na natureza e aceita tudo o que existe no Universo. O espírito do Budô indica o despertar desse amor dentro de nós, fomentando-o a fim de aplicá-lo a todas as coisas vivas, e usando todas as nossas habilidades para realizar todo o nosso potencial.

As artes marciais não têm o seu fim na destruição, mas sim na compreensão do seu Eu Maior em busca de um bem coletivo. É o ensinamento de um caminho de prosperidade mútua conectando a nossa energia à dos demais indivíduos a nossa volta. Esse é o meio de remover a hostilidade de nosso coração, por meio da prática da técnica física que nos leva à unificação do corpo com o espírito.

Yudansha André Miranda
Inspirado em um texto do Kansho Sunadomori.

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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