Falta de Patrocínio, o que fazer?

0

A Falta de patrocínio é um problema que atinge a maior parte dos atletas no Brasil.

E digo isso não apenas em relação ao Jiu-Jitsu ou mesmo em outros esportes marciais, mas ao esporte em geral. Contudo, não se trata apenas de um problema direcionado a falta de interesse do governo e da iniciativa privada em dar este tipo de apoio aos profissionais do esporte, mas, no meu sentir, de haver um empenho maior da equipe envolvida na preparação do atleta.

abertura-guarda

Digo isso, no sentido de que, colocando a questão pelo prisma dos esportes marciais, notadamente, as academias não têm uma preocupação maior com este quesito tão importante para a vida do atleta. Na esmagadora maioria dos casos, o atleta paga sua mensalidade na academia, treina normalmente com os demais alunos, muitos deles que não são atletas, mas só praticantes, e a parte de suplementação, dieta alimentar, e patrocínio fica a seu encargo.

Entretanto, ao obter resultados, todos querem os louros da glória, seja o Estado (estado federativo ou país), seja a academia.

Muitas vezes isso também ocorre em razão da situação em que a maior parte da equipes ou academias são feitas. E não estou falando da questão física não, estou falando da formalização jurídica. Em outras palavras, nos referimos quanto a sua existência enquanto pessoa jurídica formalizada. Na maior parte das vezes, o professor é contratado por uma academia – muitas vezes de ginástica e musculação -, escola ou clube, e termina por não registrar sua equipe. Outras vezes, por vir ele de uma equipe grande, termina por abrir uma sala para ministrar suas aulas, sob a chancela daquela equipe.

Braulio-em-acao-na-final-do-Mundial-de-Jiu-Jitsu-2009-Foto-por-Regis-Chen

Porém, independente do caso, nem a academia, escola ou clube corre atrás do patrocínio para esse atleta, muito menos aquela equipe em que ele se formou, que só dá o suporte do nome e marca.

Fica, portanto, muito difícil para o atleta que já tem que se preocupar com sua pesada rotina de treinos, muitas vezes, cumulada com sua rotina de trabalho, para também ter que correr atrás de patrocínios reais, de empresas grandes e do Estado.

Assim, termina conseguindo patrocínios insubstanciais, como o de comerciantes do seu próprio bairro. Esses, por mais boa vontade que tenham, terminam por ajudar apenas em pequenas despesas, fazendo com que seja latente a preocupação do atleta com os altos custos que terá para manter uma boa dieta alimentar, bons complexos vitamínicos e suplementos alimentares, fora despesas de viagem e inscrições nas melhores competições.

É de suma importância uma mudança de mentalidade dos gestores de academias e equipes, que devem começar a se preocupar com esta parte na vida dos seus atletas. Não deve ser ele quem deve correr atrás de patrocínios, mas a própria entidade que ele representa.

Nesse sentido, para fazer jus a melhores patrocínios, é importante que os gestores de equipes, busquem fazer o respectivo registro dos seus atos constitutivos junto aos órgãos competentes, tornando suas equipes, pessoas jurídicas. Então, formalizada a empresa, poderá solicitar patrocínios ou mesmo adentrar em projetos do governo, em busca de verbas destinadas a estes fins.

uipi-Atletas-de-Jiu-Jitsu-de-Uberlândia-conquistam-medalhas-na-Copa-Mundial

Já a nível nacional, se ele não leva o nome da equipe ou clube a que ele representa, mas a de um estado da federação, é importante que a Federação Esportiva a que ele está filiado e a qual ele representa que subsidie as despesas desses atletas, enquanto estiverem em suas respectivas equipes.

Nesse sentido, podem as entidades fazer convênios com grandes empresas, com fim a obter as verbas necessárias, através da lei de incentivo fiscal; fora isso, podem ainda tentar obter verbas destinadas ao incentivo do esporte, junto aos órgãos públicos de administração d esporte.

Não podemos manter a prática de sobrecarregar os atletas com o peso de tais questões. Somente com politicas integrativas das entidades as quais o atleta está representando é que teremos uma melhora nos quadros desportivos de resultado.

Share.

About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

Comments are closed.