Casa tradicional

MinkaConhecidas como minka, as moradas tradicionais variam muito em sua aparência de região para região, dependendo das condições climáticas do local. Normalmente são feitas em madeira com divisórias em madeira leve e papel, eram projetadas para que o uso de espaço interior pudesse ser adaptado.

Hoje porém, as minka são raramente utilizadas, pois com o crescimento econômico e urbano, os japoneses cada vez mais residem em apartamentos ou casas com arquitetura ocidentalizada. Isso devido também aos diversos fenômenos naturais ocorrentes no Japão, os quais provocavam, com certa frequência, incêndios. Outro motivo é o fato da arquitetura moderna ter proporcionado técnicas de absorção de sismos.

Por conta disso, muitas minka se tornaram museus; mas mesmo nas casas modernas ainda é muito utilizado a organização de espaço da arquitetura tradicional do Japão.

Divisão da Minka

Na construção da minka, uma série de colunas verticais – de madeira – eram enterradas nas pedras de fundação e conectadas por vigas horizontais, além de vigas diagonais – incluídas por influência de construtores estrangeiros – que dão maior estabilidade a construção. Essas colunas verticais são fixadas no solo e elevam o solo da construção, por vários centímetros, para afastar a umidade. A parte da frente da casa encontra-se o engawa, que consiste em um espaço externo coberto por um telhado inclinado, onde há porta corrediças (Shoji) de madeira e papel japonês que servem para filtrar a luz e normalmente ficam abertas para a circulação de ar, e um degrau de pedra, onde os visitantes podem tirar seus sapatos. Existe uma área também de entrada chamado doma (área de chão batido), que fica logo depois da entrada, e onde as pessoas podem tirar os sapatos antes de pisar na superfície de madeira.

Paredes e telhado

As paredes costumam ser feitas em madeira e em seu interior cobertas com uma mistura feita de areia a lama. Já as paredes que servem para dividir os cômodos da casa, normalmente são feitas em madeira mais leve, com portas corrediças de madeira e papel pesado, chamadas de “fusuma”, que abrem e fecham para modificar o tamanho da sala.

O telhado costuma ser bem inclinado e se estende para muito além das paredes para que nos dias de chuva, os locais ao redor da casa continuem secos. O Japão é um país que tem um volume muito alto de chuvas, então, é lógico que a arquitetura local levaria este fator em consideração. Estes telhados tradicionais são sustentados pelas colunas e vigas que se conecta, além de possuir calhas profundas para captar e distribuir a água da chuva.


As coberturas tradicionais dos telhados incluem palha, telhas e um tipo especial de telhas de cerâmica chamadas “kawara”. As telhas pesadas se sobrepõem às paredes, para fornecer proteção contra vento e chuva e as colocadas nas calhas e no topo costumam ostentar decorações ornamentais.

Pisos

O piso mais utilizado no Japão é o tatame; ele está presente nas salas mais importantes da casa. São esteiras feitas de palha e junco, com aproximadamente 5cm de espessura, com tamanhos padrão em cada região. O tamanho das salas é normalmente medido pelo número de esteiras de tatame. As salas mais formais costumam ter entre seis a oito esteiras, e são usadas para receber visitas. Tábuas de madeira cobrem o chão de cozinhas tradicionais, banheiros ou corredores. Em alguns templos, os monges aplainaram essas tábuas à mão, para obter uma superfície tão lisa que faz a madeira literalmente brilhar.

Interior

O interior de um edifício tradicional inclui vários quartos divididos por portas de correr chamadas “shoji (portas de treliça de madeira com papel) ou “fusuma” (portas corrediças de madeira). As shoji embora promovam uma claridade maior na casa, não dão muita privacidade; já as fusuma, por serem de madeira permitem uma privacidade maior, porém não permite que a claridade passe. No verão, estas portas corrediças são deixadas abertas para promover a ventilação necessária. Completando estas portas, logo acima, são colocadas as chamadas ramma, que são como combogós feitos de madeira talhada por onde passa a ventilação.

As portas de entrada também são “shoji” e algumas paredes externas têm dois conjuntos de “shoji” separados por uma estreita passagem para um isolamento extra. Todo prédio japonês tem um “engewa”, ou hall de entrada, onde os visitantes deixam seus sapatos, e uma casa tradicional sempre tem um “tokunoma”, que é uma pequena alcova com chão de madeira, em uma sala formal, dedicada a honrar os deuses com flores, artes e incensos.


As salas mais formais ainda recebem um forro de madeira que servem como espaço para depósito. No centro da casa se localiza o Irori (lareira), que costuma estar sempre acesa, constituindo a fonte principal de calor, sendo às vezes utilizada para cozinhar. Na minka, o fogo é geralmente afundado no chão de madeira; um tatame ao redor quer dizer que a família tem posses. Outra fonte de calor pode ser o kotatsu, que é um aquecedor (tradicionalmente de carvão, hoje elétrico), combinado com uma mesa baixa, mas que pode também ficar afundado no chão, em uma sala com fustão onde as pessoas podem descansar num chão de tatame.