Chado

Utensílios de Chado

A cerimônia do chá japonesa, também chamada de Chanoyu é a maior expressão do Chado, que podemos traduzir como Caminho do Chá. Consiste em uma atividade tradicional com influências do Taoísmo e Zen Budismo, na qual o chá verde em pó é preparado cerimoniosamente e servido aos convidados.

O culto ao chá é fundamentado na observação da beleza na simplicidade, em meio a existência do cotidiano. Salienta a pureza e a harmonia, o mistério da caridade mútua e o romantismo do caráter social (OKAKURA, Kakuzo, 2008, p.39).

A cerimônia consiste em um evento social, com grande formalismo, em que antes de ser servido o chá, são oferecidos doces típicos aos convidados, enquanto o Mestre do Chá purifica seus utensílios na água fervente.

A refeição oferecida durante a cerimônia do chá completa é também uma oportunidade para os convidados se deleitarem com o sabor dos alimentos preparados de acordo com a estação do ano (NIPPON, 2008, p.124).

Aqueles que pretendem trilhar o Caminho do Chá, e com isso participarem da cerimônia do chá, devem estar cientes de que, antes, precisam conhecer outras artes tradicionais, pois elas se integram ao chanoyu; dentre estas, está o cultivo de variedades de chá, o conhecimento das vestimentas adequadas para a cerimônia, que são os kimonos, também deve ter pelo menos uma noção de caligrafia (Shodô), de arranjos florais (Kadô), bem como conhecer seus utensílios, cerâmica, etiqueta e incensos, e por fim conhecer os procedimentos formais de seus estilo de Chanoyu.

Por isso é que se diz que “o estudo da cerimônia do chá nunca termina.” Mesmo que se participe como convidado, é considerado elegante conhecer um pouco de sua história e tradição, além da etiqueta adequada ao momento; claro que ninguém vai repreender um convidado, mas é muito apreciado quando se participa de uma cerimônia do chá seguindo corretamente os seus ritos. Portanto, deve-se, ao menos, saber como se comportar, conhecendo gestos e frases pré-definidas, bem como a maneira apropriada de sentar-se na sala de chá, e servir-se de chá e doces.

Portanto, é adequado que a pessoa que lhe convide para participar da cerimônia do chá, lhe passe as primeiras orientações e esteja ao seu lado durante todo o evento, lhe indicando os ritos a serem seguidos. Mas longe de ser uma reunião extremamente formal, o participante pode gozar de momentos únicos de paz e harmonia, conversando sobre diversos temas, desde arte até frugalidades da vida cotidiana.

O objetivo da cerimônia é o gozo de uma atmosfera profunda na qual os participantes provam o chá enquanto admiravam pinturas, artes e artesanato, ou de outra maneira, também pela apreciação de poemas e música erudita oriental.

O Chadô expressa e desenvolve o conceito de wakeiseijaku, que significa atenção e mútuo respeito. É o caminho que reúne todos os Caminhos.

Portanto, o estudo da Caminho do Chá (Chadô) requer muitos anos de dedicação, de tal forma que o praticante, deva dominar totalmente suas técnicas, antes de servir o seu primeiro chá; incluindo neste sentido, o domínio no manuseio de cada utensílio e a dosagem do chá. É de importância singular que seus movimentos – durante a cerimônia – sejam perfeitos e harmoniosos, demonstrando graciosidade, elegância e beleza.

Dificilmente poderíamos aqui, expressar em palavras toda a essência da cerimônia do chá, somente podendo ser alcançada se vivenciada. Assim, apenas podemos dizer que o seu objetivo é a purificação da alma do homem pela apreciação do belo, lembrando que seu desenvolvimento se deu por influência do zen-budismo.

“Podemos dizer que esse caminho é um manancial, onde as pessoas buscam forças para enfrentar um mundo tão conturbado. É praticado por executivos para ajudá-los a se libertarem da vida estressantes de um mundo duro, pesado e sem alma como é o dos negócios.” (SUGAI, O Caminho do Guerreiro, p.136)

A apreciação e vivência da cerimônia do chá, nos conduz a vivenciar, ainda que por breves momentos, a transcendência das coisas do mundo, de forma a enxergar os fatos da vida na forma em que realmente o são, fazendo com que tenhamos a verdadeira clareza de pensamento e ações.

Segundo Vera Lúcia Sugai, em seu livro “O Caminho do Guerreiro, a cerimônia do chá influencia o comportamento humano e sua atitude moral na sociedade. Salienta, inclusive que, sua influência já atingiu setores como a arquitetura, o paisagismo entre outras áreas ligadas a arte.

Podemos dizer que o chanoyu é uma das maiores representações do empenho, simplicidade e solenidade do povo japonês, que expressa todo o seu poder intuitivo na realização desta cerimônia, que busca desnudar o simples, modesto e belo nas pessoas. Muitas vezes, suas regras rígidas de etiqueta, podem parecer sacrificantes para seus participantes iniciantes, mas com o tempo, vão se tornando naturais, levando a quem pratica a um estado de satisfação e serenidade, que os possibilita a observação na efemeridade da vida.

Devido ao fato desta cerimônia, normalmente ser realizada em uma sala ou casa preparada para este fim, a cerimônia do chá, tem despertado interesse na vida artística do povo japonês, já que sua realização envolve, não só os seus utensílios, roupas e modos, mas todo o local de onde será feita, assim por dizer o cômodo onde será servido o chá, o jardim a ele contíguo, sua decoração e demais objetos que compõem o ambiente. A isto falaremos em outro artigo.

Esta essência tem sido transmitida até os dias de hoje sem oposição e o respeito pelos seus formalismos são executadas pelas diversas escolas de Chadô. Representa, enfim, o espírito genuíno da democracia oriental que transforma todos os seus devotos em aristocratas no bom gosto (OKAKURA, Kakuzo. 2008, p. 40).

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Explicando a cerimônia do Chá

A Cerimônia do chá