Dança

Nihon No Odori

Kamogawa-Odori

Surgida na antiguidade, como forma de se conectar com as entidades divinas, a dança esta presente em todas as culturas e povos. No Japão, desde os tempos mais remotos é utilizada em cerimônias religiosas, se desenvolvendo a ganhando popularidade em relação a outras expressões artísticas.

A dança é elemento típico da cultura japonesa, estando inserida em diversos contextos, desde a mitologia e religião, até às festividades ou simplesmente como forma de lazer. As danças tradicionais do Japão se dividem em diversos estilos, sendo os mais conhecidos: Kabuki Buyo, Kamigata-mai, Ryukyu buyo, Shishi-mai e o Sarugaku.

kasai-odori

Esses estilos e muitos outros não citados são inspirados em elementos da cultura japonesa; os estilos que se utilizam do termo “mai” se caracterizam por uma conduta mais cerimonial e introspectiva, enquanto o “odori” se caracteriza pela forma exuberante e extrovertida de se executar.

Notadamente os estilos que estão inseridos em qualquer dos grupos citados (mai ou odori) estão intimamente ligados e determinados eventos festivos da tradição japonesa. É interessante notar como a combinação dos ideogramas utilizados para designar qualquer um dos dois estilos de dança (mai + odori), forma a palavra buyo, utilizada para nominar vários estilos de danças tradicionais.

Outros estilos mais modernos como o Yosakoi Soran (“venha à noite), nascida há 18 anos, na província de Kouchi, de uma mescla de dois estilos musicais regionais do Japão, consiste em uma canção folclórica rítimica, que é executada de forma viva e vibrante, o que atrae muitos jovens, que entoam expressões como gritos de guerra.

A primeira dança trouxe luz para o mundo.

A lenda que conta como nasceu a dança, está escrita no livro mais antigo da história japonesa, o Kojiki (Registro de Casos Antigos). A história começa quando Amaterasu (deusa do Sol), após ficar triste e enraivecida com as brincadeiras de seu irmão Suzano-o, se escondeu na Caverna da Rocha Celestial, levando o mundo a escuridão; desesperados os outros deuses foram para frente da caverna que estava fechada com uma grande rocha.

Após tentarem convencer de todas as formas Amaterazu a voltar a iluminar o mundo, saindo da caverna e não conseguindo, elaboraram um plano. Chamaram Uzume, a deusa da alegria, que posicionou seu espelho em uma árvore em frente à entrada da caverna e depois iniciou uma dança em cima de barril de forma cômica e obscena que fez com que todos os deuses rissem da situação. Os risos aguçaram a curiosidade de Amaterasu, que retirando a pedra que fechava a caverna, para tentar ver o que acontecia, se viu refletida no espelho o que a deixou desnorteada, momento em que os outros deuses lacraram a entrada da caverna e a convenceram a voltar a iluminar a terra.

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Assim, todas as danças, segundo o Kojiki, derivam desta dança primordial que trouxe luz ao mundo, salvando todas as formas de vida na terra.

A importância de Amaterasu para a história japonesa é tão importante que a os imperadores do Japão são considerados descendentes diretos desta divindade e em sua homenagem são realizadas danças especiais em festivais e cerimônias religiosas. Dentre estas a mais antiga é a bugaku, que é executada apenas por homens.