Jardins Japoneses

Inicialmente criados a redor dos santuários xintoístas, os jardins japoneses foram cultivados pelos sacerdotes destes locais sagrados, como uma extensão do templo e tinham motivação no amor que o xintoísmo atribui à natureza, bem como pelo ideal budista de paraíso.

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Aliás, os jardins xintoístas se diferenciavam dos budistas, mas com o tempo conceitos de um foram incorporados no outro. Embora possamos dividir os jardins clássicos em quatro tipos – jardins paraíso, jardins de paisagismo seco, jardins de passeio, jardins de chá – , eles compartilham conceitos e princípios em sua composição.

Devido ao amor e devoção dos japoneses com a natureza, seus jardins passaram a integrar não só o entorno dos templos budistas ou xintoísta, mas também a constituir parte integrante das grandes mansões, prédios históricos, antigos castelos, parques das cidades e também aos novos projetos arquitetônicos.

Esses jardins criam um microcosmo: pedras, água, pontes e outros elementos combinados para formar uma paisagem idealizada em miniatura, muitas vezes em um ambiente altamente abstrato e em uma forma estilizada.
Os jardins do paraíso e os de paisagismo seco são idealizados para serem vistos de um só ponto de vista, enquanto os jardins de passeio e o de chá são projetados para serem percorridos a pé.

Muitos dos mais famosos jardins japoneses do Ocidente, e também no próprio Japão, são os jardins Zen. Como a tradição da cerimônia do chá, os jardins japoneses constituíram uma característica bem peculiar, uma reminiscência do Japão Feudal.

Jardins Paraíso

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Esse tipo de jardim é criado, a partir do princípio budista da Terra Pura (um tipo de paraíso acessível a todos que entoarem o nome de Buddha Amitabha, antes de alcançarem a iluminação). Essa crença chegou ao Japão, vinda da China, através do budismo, e foi incorporado pela cultura japonesa, que não considerava a Terra Pura como um lugar intangível, mas uma realidade física. Assim, muitos destes jardins foram criados incorporando pavilhões e lados cheios de flores de lótus, além de árvores e montanhas que terminam por parecer fazer parte deles.

Os elementos que compõem estes jardins são um pavilhão construído à beira de um lago (natural ou artificial), possuindo uma ilha ou pedra no centro do lago representando esta ilha, além de uma ponte arqueada conectando a ilha com o resto do jardim, representando o caminho que se deve percorrer para alcançar a salvação.

Exemplos destes jardins são os de Motsu-ji em Hiraisumi; o de Iso Tei-en, em Kagoshima e o Byodo-in, próximo de Kyoto.

Jardins de paisagismo seco

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Também chamados de Karesansui, esses jardins, criados sob a influência do budismo zen, normalmente estão presentes em templos zen-budistas. Costumam ser jardins de pedras cuidadosamente escolhidas e posicionadas em meio ao cascalho, e tem o feitio de chamar seus visitantes à meditação.

Dentre os elementos deste tipo de jardim estão o cascalho que cobre a maior parte do jardim e simboliza a água, alám de grandes pedras que ficam posicionadas em locais devidamente escolhidos e rodeados de musgo, representando ilhas; outro elemento encontrado são pequenos arbustos, tudo harmoniosamente ordenado.

Normalmente são desenvolvidos em terrenos retangulares, e o cascalho distribuído em toda a sua extensão são diariamente revolvidos e ordenados em círculos concêntricos que representam as ondas do mar, com as pedras agrupadas em até três e rodeada do musgo. Já as árvores usadas nestes jardins, geralmente são pinheiros negros japoneses, isso porque, provavelmente sobrevivem com pouca água e não soltam muitas folhas.

O mais famoso jardim Zen está localizada no mosteiro Ryoan-ji em Kyoto. Contém 15 pedras do leito de cascalho e de qualquer ponto do jardim você pode vê-los todos de uma vez, os especialistas dizem que representa o início do Budismo Zen que diz que você tem que ter para adotar um ponto de vista mais elevado para ter uma visão global das coisas.

Jardins de passeio

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Estes jardins forma muito populares durante o período Edo, quando eram projetados pelos daimyo (lordes feudais). Eles eram feitos para o que seu nome sugere, ou seja, passear, e a cada passo a paisagem destes jardins pode mudar.
Um dos jardins de passeio mais famosos da América Latina é o de Buenos Aires – na Argentina – localizado no parque Três de Fevereiro, e é formado por um grupo de praças onde também está localizado o planetário de Buenos Aires e os bosques e lagos de Palermo.

Dar uma passeio em um jardim de passeio japonês, independente de sua localização é mergulhar numa experiência sensorial. Sem dúvida é um dos lugares que vale a pena visitar quando estiver no Japão. Caso não consiga, pode tentar visitar o de Buenos Aires.

Estes jardins são concebidos por uma variada vegetação original do Japão, como por exemplo, o Acer Palmatuny, Sakura e as azaleias. Outros elementos típicos que podem ser admirados são os lagos e os peixes da espécie koi.
O jardim Murin-an, em Kyoto, por exemplo, é um pequeno jardim de passeio, projetado para ser natural. Composto de uma lago, e árvores que pendem, criam um ambiente de reclusão para passear.

Jardins de chá

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Este tipo de jardim surgiu no Japão, quando os monges zen budistas vindos da China, trouxeram consigo o costume do chá, que no arquipélago japonês ganhou status de arte. Com a criação do chadô, ou caminho do chá, e com ele o chanoyou, ou cerimônia do chá, diversos elementos da arte japonesa forma incorporados, entre eles um local adequado para sua realização e, com isso, criando uma atmosfera que separasse o mundo real para o mundo ideal do zen.

Desde o período Momoyama (1568 – 1600), o jardim do chá consiste em um curto caminho, com plantas de ambos os lados, que leva o convidado até a casa de chá. Esses jardins eram feitos com intuito de transmitir nas pessoas a qualidade da solidão e introspecção, pois em todo o ritual, prevalece um ar solene.

As casas de chá normalmente são construídas com materiais simples e rústicos, criando uma atmosfera de harmonia e simplicidade, que conduz toda a atenção do visitante para a realização da cerimônia do chá.

Os jardins de chá são criados com elementos naturais que buscam criar um caminho de acesso às casas de chá, que simbolizem a jornada que o visitante tem que passar para alcançar o estado mental mais pacífico e introspectivo. E o acesso a este estado se inicia na entrada do jardim, se confirma na porta de entrada da casa de chá, que é baixa, para que os convidados entrem nela, deixando toda a arrogância do lado de fora, e adotem uma postura mais humilde, e se concretiza durante a cerimônia.