Pintura

Uma das formas mais refinadas de artes visuais do Japão, a pintura japonesa reflete o espírito do povo japonês em diversos estilos e gêneros. Existem muitos estilos de pintura no Japão, alguns tradicionais, outros modernos, mas todos com características que representam de forma muito clara o espírito do povo japonês.

Pintura em Ukiyo representando o personagens de Street Fighter.

Pintura em Ukiyo representando o personagens de Street Fighter.


A pintura, como representação da cultura artística do Japão, embora determinada por uma matriz estética relativamente formal e rígida, desfrutou de um desenvolvimento e evolução estética que nenhuma outra arte sofreu, sua pujança criativa superou inclusive as artes escultóricas.

Assim como ocorre com outras expressões da arte japonesa, a história da pintura no Japão tramita entre a nativa estética japonesa e a incorporação de ideias e elementos importados de outras culturas vindas do continente, principalmente da pintura chinesa.

Nas pinturas realizadas durante o período de isolamento do Japão, em que a influência chinesa já se mostrava presente, era frequente a conjugação de elementos naturalistas com a caligrafia. Posteriormente, à reabertura do Japão, o ocidente também deixaria seus traços na estética pictórica japonesa, aproximadamente por volta do século XIX.

Com o intercâmbio cultural entre o Japão e a China, principalmente feito através do budismo, muitas obras foram levadas ao arquipélago, inclusive com temas religiosos, o que inspirou toda uma arte zen de pintura. Os monges budistas, na criação e desenvolvimento de suas obras pictóricas, relegavam os detalhes, a procura de expressões atmosféricas e impressivas perspectivas das paisagens do Japão.

Os temas que mais sofreram a influência chinesa incluem, entre outros, a pintura religiosa budista, a pintura sumiê de paisagens e a pintura de plantas e animais, principalmente pássaros e flores.

Embora muito da estética artística japonesa se deva a influência de artistas chineses, os artistas japoneses souberam utilizar dos elementos intrínsecos da pintura estrangeira para criar elementos próprios que ilustrassem a cultura e arte do Japão, recriando, como tema de suas obras, o cotidiano do povo japonês em narrativas elaboradas sobre telas, rolos de papel arroz ou mesmo em placas de madeira fixadas nos grandes salões dos castelos medievais dos senhores feudais do Japão.

Muitos estilos foram criados ao longo dos séculos, e as primeiras obras destes estilos sobreviveram até os nossos dias como testemunho dos esforços tanto de famosos artistas, quanto de artistas anônimos em desenvolver uma cultura pictórica particularmente nipônica, que prevalecesse até a modernidade e ilustrasse o espírito desta nação.
O governo japonês, em um grande esforço de resgatar sua história cultural, criou uma lista oficial das pinturas que compõem os tesouros nacionais do Japão, incluindo 158 obras ou conjunto de obras que remontam do século VIII até o século XIX, e que representam os vértices da pintura japonesa, que tanto influenciou artistas ocidentais do século XX.

Vamos, então, conhecer alguns destes estilos da pintura artística japonesa.

Ukiyo-e

cortesã
O Ukiyo-e, que significa literalmente “retratos do mundo flutuante”, é um estilo de pintura, muito similar à xilogravura desenvolvido no Japão, durante o período Edo (1603 a 1867 d.C.). Consistia em uma técnica de reprodução de pinturas em blocos de madeira, usados para impressão entre os séculos XVIII e XIX (fim do período Edo).

Seu nome, escrito geralmente com os kanjis 浮世絵, que significam “retratos do mundo flutuante”, no seu mais tradicional sentido, trazia conotações sobre o caráter efêmero e transitório de todas as coisas, conceito este importado do budismo, entretanto, quando começou a ser utilizado, por volta do século XVII, também era chamado, pelo termo homófono, de retratos do mundo triste. Com o tempo, contudo, e tendo em vista que as pinturas forma sendo feitas cada vez mais para entretenimento, a expressão retratos do mundo flutuante ganhou maior popularidade e se tornou dominante.

Na obra do artista Asai Ryoi (1612 – 1691), chamada Ukiyo Monogatari (Contos do Mundo Flutuante) esta escrito:

…Viver apenas o momento presente, entregar-se inteiramente à contemplação da lua, da neve, da flor de cerejeira e da folha de plátano … não se deixar abater pela pobreza e não deixá-la transparecer em seu rosto, mas flutuando como ….na corrente do rio: que é chamado de Ukiyo…

O tema central do Ukiyo-e era a vida urbana, inclusive sendo constantemente retratado cenas de entretenimento como belas cortesãs, lutadores de sumô e atores populares. Com o tempo, outros temas foram sendo incorporados à arte Ukiyo-e, como paisagens e cenas de assuntos políticos. Embora o sexo não fosse comum, não era um assunto evitado, tendo sido motivo de várias obras de artistas mais ousados, chamados shunga.


A rápida popularidade do Ukiyo-e se deu, principalmente, em razão da facilidade com que poderia ser reproduzido em massa. Dentre os principais adquirentes destas obras, estavam os comerciantes burgueses que não podiam comprar uma pintura original, então, recorriam a este tipo de arte para decorar suas casas e/ou estabelecimentos comerciais.

Com o final do isolacionismo japonês e abertura dos portos para o Ocidente, por volta de 1858, muitas pinturas de Ukiyo foram levadas para a Europa, passando a integrar coleções privadas de grandes comerciantes e até aristocratas europeus, ganhando grande prestígio e influenciando a pintura da Europa. Entre os movimentos artísticos da pintura europeia, podemos citar o impressionismo e, posteriormente o pós-impressionismo.

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Sumi-ê

Sumie
Sumi-ê ou Sumiê consiste em um estilo de pintura oriental, surgido na China no século II da era Cristã, e levado para o Japão, onde tornou-se uma mais difundida, que se utiliza da tinta nanquim, misturando desenhos com caligrafia e criando uma arte com matizes totalmente orientais.

A palavra Sumiê tem raiz japonesa e significa pintura com tinta. Os conceitos que fundamentam esta expressão artística, não guardam qualquer ligação ou influência com a arte ocidental; primeiro porque seu conceito de misturar desenhos em nanquim com a caligrafia japonesa constitui arte para os orientais. Segundo porque, para os japoneses, é importante que o artista passe sua mensagem de forma simples e sem margem para distorcidas interpretações. Deste conceito estético nasceu a expressão, que caracteriza a arte do sumiê como a arte do essencial.

A simplicidade do sumiê se traduz tanto na forma monocromática de sua pintura, como também no material usado pelo artista: pincéis, uma tinta especial parecida com o nanquim e papel artesanal à base de arroz.
Trata-se de uma arte que exige, após muito treino, grande habilidade e concentração. É por isso que muito poucos atingem o estágio de mestre.


No Brasil o grande mestre e provavelmente o introdutor da arte do sumi-ê foi Massao Okinaka, que por anos manteve classes de alunos interessados em aprender essa técnica tão antiga, mas absolutamente nova para os ocidentais.