História do Japão

Desde as suas origens mais remotas, passando pela era dos destemidos samurais até os eventos da Segunda Guerra Mundial, a história do Japão tem sido objeto de discussões acaloradas e com diversas interpretações.

A sequência de eventos ocorridos no arquipélago japonês, influenciada pela sua natureza geográfica e localização próximo a civilização continental, permitiu seu desenvolvimento através da influência do Império Chinês, tanto na língua, na escrita quanto na cultura em geral; posteriormente, a sua política isolacionista permitiu o desenvolvimento de uma cultura própria, refinada e altamente sofisticada tanto estética quanto no seu sentido mais profundo. Por outro lado, após o fim da era dos samurais, com a restauração do poder imperial, na era Meiji, o Japão sofreu forte influência do Ocidente, convertendo-se de nação rural para nação industrial, permitindo, com isso, que o Japão deixasse de vez a era do feudalismo para a era moderna.

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Assim, podemos dizer que o Japão é um dos países, sob influência chinesa e, posteriormente, ocidental, com maior personalidade, transitando entre os aspectos modernos e tradicionais, o que o torna um país que exerce forte fascínio em todo o planeta.

Resumo Histórico

A história do povo nipônico se inicia no período glacial, quando o nível do mar esteve baixo, por volta de 40.000 anos, quando os primeiros habitantes vindos do continente se estabeleceram.

Descobertas recentes indicam que à cerca de 14.500 a.C., surgiram as primeiras sociedades, baseadas na caça e coleta de frutos. Estes povos desenvolveram um tipo de cerâmica, chamada Jomon, consideradas entre as mais antigas do mundo. Por conta disso, este período da história do Japão ficou conhecido como Jomon. Em seu estágio mais avançado, a cultura Jomon apresentava agrupamentos em forma de vilas, na região de Kanto (próximo a atual Tókio).

Posteriormente essa cultura evoluiu, através do cultivo do arroz, bem como a manufatura de peças em bronze e ferro, influenciados pelas tribos vindas de Kyushu, que provavelmente tiveram contato com os povos do continente. Essa época ficou conhecida como Yayoi. Esse período ficou marcado pelo deslocamento das tribos para regiões do norte como Kyushu, Honshu e Shikoku.

O período seguinte foi o Yamato, que ficou marcado pelo surgimento das primeiras ordens aristocráticas, inclusive a do Imperador (uma linha ininterrupta que dura até os nossos dias), como descendente da deusa do Sol Amaterasu. A história chinesa registra a visita de um enviado de Himiko, a rainha de Yamatai, ao reino de Wei (China), em 239, mas a localização desta corte ainda é desconhecida.

Esse foi o período em que os lideres tribais reforçaram suas posições e começaram a disseminar-se por todo o arquipélago, sob a tutela de um sistema centralizado, em que tinha na figura da Imperatriz a sua força maior.

No fim do século VI, houve a introdução do budismo, e uma assimilação por parte do governo central a certos costumes próprios da Coréia e China. Isso, contudo, resultou em um clima de tensão na sociedade japonesa, levando diferentes tribos a lutar pelo poder, somente cessando com a intervenção do príncipe Shotoku, regente da imperatriz Suiko.

Após este evento, foi construído o templo Horyuji (607 d.C.), e instituído o código Taiho (701 d.C.), por fim a capital foi mudada de Nara para Heian-kyô (atual Kyoto), em 794 d.C., o que deu origem a uma cultura aristocrática extremamente aperfeiçoada, iniciando um processo de identidade própria do povo nipônico.

Aqui se inicia a era Heian, que ficou marcada pela ascensão do clã Fujiwara, através do apoio irrestrito ao Imperador Kammu e do casamento de diversos membros do clã com membros da família imperial; seus lideres chegaram, inclusive, a atuar como regentes em questões de Estado.

O sistema introduzido nesta época, ainda se espelhava nos modelos chineses, pelo qual a terra e as pessoas eram propriedade do Imperador. Nesta época, os imperadores, ao alcançarem certa idade, abdicavam em nome de seus sucessores mais jovens e se isolavam em um mosteiro, onde ainda influenciavam as decisões do governo, nos bastidores.

Entretanto, esse sistema não conseguiu controlar as constantes tensões entre os lideres provinciais, resultando em diversos confrontos por terras e constante instabilidade do poder aristocrático. Houve a necessidade de guerreiros para proteger o domínio dos nobres sobre as terras; nascia a classe dos samurais.

Por volta de 1110 d.C. a corte já não conseguia controlar as tensões entre os dois maiores clãs provinciais: os Taira e Minamoto. A luta entre estes dois poderosos clãs durou anos, até que em 1185, os Minamoto venceram os Taira, sob o comando de Yoshitsune Minamoto.

Em 1192, Minamoto no Yoritomo foi nomeado o primeiro Shogun (ditador militar) do Japão pelo imperador, marcando o início do regime feudal Shogunato (ou Bakufu) em Kamakura, uma instituição militar permanente que governaria durante quase setecentos anos. A corte viu assim o seu poder transferir-se para os samurais sob tal regime militar.

Ao instalar seu governo em Kamakura, Yoritomo afastava o Imperador do centro do poder administrativo do Japão, passando a se tornar como um líder espiritual, enquanto o Shogun se tornava o líder administrativo do arquipélago. O sistema introduzido pelo clã Minamoto favorecia a classe dos Bushi (samurais) e trouxe 150 anos de relativa paz. Entretanto, nos bastidores as lutas e alianças pelo poder continuavam e, assim, enquanto os descendentes de Yoritomo ascendiam à posição de Shogun, o membros do clã Hojo, foram assumindo as prerrogativas do poder e enfraquecendo gradativamente os Minamotos.

Com a eclosão da Guerra de Ōnin em 1467, quando grande parte de Kyoto foi destruída por um incêndio, a situação atingiu seu ponto mais crítico. Neste período o clã Ashikaga havia si instalado em um distrito de Kyoto, chamado Muromashi, nome que viria a designar um novo período para o Japão.

Este foi um período de grandes conspirações na corte de Kyoto, levando mais tarde a uma série de guerras que se estenderam por todo o Japão, até que em 1573, Oda Nobunaga iniciou uma unificação do país que não foi concluída devido à traição de um dos seus principais generais. O imperador foi morto e Toyotomi Hideyoshi vingou a sua morte, completando a unificação em 1590.

Depois disto, o país ficou novamente dividido em dois lados: os que apoiavam o seu filho Toyotomi Hideyori e os que apoiavam um dos principais daimyo, Tokugawa Ieyasu. As duas vertentes enfrentaram-se então durante a Batalha de Sekigahara, da qual Ieyasu saiu vencedor e foi oficialmente nomeado Shogun em 1603, instaurando-se o Shogunato Tokugawa, dando inicio ao período Edo.

O governo dos Tokugawa foi marcado por uma forte politica isolacionista, que evitou o contato com os povos do continente e qualquer influência exterior, além de ter sido um longo período de paz. Nesta época todas as expressões artísticas evoluíram, inclusive as artes marciais; os samurais, então, rústicos guerreiros, se tornavam eruditos.

Embora Kyoto continuasse a ser a capital do governo, onde vivia o Imperador, Edo ofuscava a capital, por ter si tornado o maior centro econômico do Japão, e talvez a maior cidade do mundo em 1700, cidade onde morava o Shogun.

A política de isolamento teve, finalmente, seu término em 1853, durante o governo do último Shogun Tokugawa, quando o almirante Matthew Calbraith Perry chegou à baia de Edo, com uma frota de nove embarcações norte-americanas, desafiando a política isolacionista do Japão, forçando o já enfraquecido sistema shogunal a abrir portas da Nação e assinar uma série de tratados com as grandes potências estrangeiras (tratados desiguais), causando desconforto entre alguns samurais que apoiavam o Imperador a favor da retomada do seu papel na política. Assim, os clãs Satsuma e Choshu, bem como os das regiões de Kyushu, oeste de Honshu e Shikoku lideraram a restauração do poder Imperial, e o processo de reorganização do governo.

Como resultado, o último Shogun Tokugawa renunciou ao cargo em 1868, dando início à era Meiji, em homenagem ao Imperador Meiji que havia assumido o poder político aos 16 anos de idade, tornando Tóquio a capital do Japão.

Com o restabelecimento do poder imperial, iniciou-se um processo de modernização do país, que visava tornar o Japão competitivo com as demais potências internacionais. Neste processo, instaurou-se um novo sistema militar, com o alistamento de jovens japoneses no exército imperial, resultando no fim da classe hereditária dos samurais. Os domínios dos Daimyo aos poucos foram transformados em prefeituras e a classe dos Daimyo e dos nobres da corte formaram a nova classe social dos kazoku. A alfabetização se tornara a meta neste novo sistema de governo e o Japão se tornaria a primeira nação asiática a se industrializar.

Tais mudanças levaram o pais a um levante, arquitetado pelos remanescentes da classe dos samurais (1874/1876), que pôs um fim melancólico a história destes honrados guerreiros.

Com o fim do antigo sistema e de suas classes, um forte processo de ocidentalização surgiu, e o Japão emergiu como grande potência industrializada do oriente. Em 1889 era promulgada a Constituição Meiji, que entre outras coisas criava o poder legislativo do Japão, e aumentava o poder militar das forças imperiais. No começo do século XX a transformação de país rural para potência industrial se concluiu e o Japão enxergava a necessidade de expansão sobre os territórios vizinhos em busca de suprir as necessidades do Estado que resultou em diversos conflitos com Coréia, China e Russia. No final da era Meiji, o governo enfatizava a reverência ao Imperador, à família, ao Shintoísmo (religião predominante no Japão), ao exército e aos heróis nacionais.

Com a morte do Imperador Meiji, o país já havia se tornado uma nação moderna, industrializada, com um governo central unificado.

Sob ao trono o jovem príncipe Hiroíto, que sofrendo grande pressão, cede aos militares extremistas na política expansionista. Em 1937 o Japão estava em guerra com a China, enquanto a Europa se precipitava em uma guerra contra as forças Alemães, que ficou conhecida como 2ª Grande Guerra Mundial.

Nos idos de 1941, as relações diplomáticas com os Estados Unidos da América estavam desgastadas, e o governo estadunidense, através de seu presidente Franklin Delano Roosevelt, determinou o corte no fornecimento de petróleo ao Japão, congelando em seguida todos os créditos japoneses nos Estados Unidos da América. Tal atitude levou a uma decisão equivocada do governo japonês, que mais tarde lhe custaria milhares de vidas. Em 7 de dezembro de 1941 o Japão atacou a base militar de Pearl Harbor, levando o país (Japão) para a Segunda Grande Guerra, e se aliando às “Potências do Eixo”.

Apesar de ter obtido uma série de vitórias, o Japão trouxe para a guerra o exército norte americano, que junto ao aliados derrubariam Hitler e demais “Potências do Eixo”. Após a derrota do Japão na Batalha de Midway, a Guerra do Pacífico sofreria mudanças drásticas. Finalmente em agosto de 1945, após bombardeios nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, o Japão apresentou sua incondicional rendição.

Com a ocupação do Japão pelas forças estadunidenses, o exército imperial foi desmantelado, o Imperador, embora mantido no poder, renunciou ao status de divindade, e muitas das suas premissas agora passaram às mãos de um primeiro-ministro, eleito pelo parlamento.

O país foi reconstruído com a ajuda americana e importantes mudanças foram instituídas, à fim de tornar o Japão um país democrático, com uma monarquia constitucional. Em 1952, finalmente, o Japão recuperaria a sua soberania, com a assinatura do Tratado de São Francisco, dando abertura para o seu crescimento econômico e político, com a ajuda da comunidade internacional.

Ainda foram necessárias mudanças de políticas sociais e de desenvolvimento para que o Japão se tornasse a grande potência que é hoje, e com a ascensão do príncipe Akihito em 1989, o Japão introduziu estas mudanças tão necessárias ao desenvolvimento da nação.