Criação do Japão

Criação-do-mundo

NASCIMENTO DAS ILHAS DO JAPÃO

No inicio, antes de haver Céu e Terra ou qualquer outro corpo celeste, havia o Caos, constituído de uma massa de energia indefinida e ilimitada; dessa massa, surgiu uma energia límpida suave e harmoniosa, que formou o Céu, uma planície, a que se chamou Takamagahara, de onde se materializou a deidade Ame-no-Minaka-Nushi-no-Mikoto, (Augusto Centro do Céu).

Em seguida os Céus fizeram vir a vida a deidade Takami-Musubi-no-Mikoto (Elevada Augusta Produtora de Maravilhas), e depois a deidade Kammi-Musubi-no-Mikoto (Divina Deidade Produtora de Maravilhas), que juntamente com Ame-no-Minaka-Nushi-no-Mikoto (Augusto Centro do Céu), formavam as Três Deidades Criadoras.

Durante a criação dos Céus, parte da massa primordial se separou e gradualmente foi tomando forma a se transformando na Terra, em um processo que durou milhões de anos, em que, antes de se tornar totalmente sólida e definida, nasceram de seu núcleo seres imortais; Eles eram as Deidades: Umashi-Ashi-Kahibi-Hikoji-no-Mikoto (Deidade Príncipe Primogênito do Agradável Jorro do Tubo) e a Deidade Ame-no-Tokotachi-no-Mikoto (Deidade Celestial Eternamente Pronta). Estes cinco primeiros Deuses são considerados as Divindades Celestiais Especiais.

Foi justamente neste tempo em que nasceram as divindades Izanagi-no-kami (Divindade Sagrada da Calma), masculina e Izanami-no-kami (Divindade Sagrada das Ondas) feminina, que posteriormente seriam chamados a criar as ilhas do Japão.

Acontece que depois que o Mundo foi criado, tanto o Céu quanto a Terra ainda eram massas distintas uniformes e macias que passavam por um processo gradativo de evolução e precisavam serem terminadas. Os deuses primordiais, vendo isso, decidiram delegar a função de terminar a divina criação ao casal mais jovem de deuses, assim, mandou chamar Izanagi-no-kami e Izanami-no-kami, para ajudá-los nesta augusta missão, e dando-lhes a Sagrada Lança de Jade (Ame-no-nuboko), cravejada com 1000 pedras preciosa, cujo brilho se assemelhava a mil sol’s.

Nesta época o Universo ainda estava no estágio do formação, parecendo um vasto oceano. Lá em cima, estendia-se o Céu, formado de partículas mais leves, enquanto a Terra, mais pesada estava em baixo.

Izanagi e Izanami – obra do artista Kobayashi Eitaku, 1885.

Izanagi e Izanami – obra do artista Kobayashi Eitaku, 1885.

O casal divino, então, se perguntando como iriam cumprir tal missão, subiram em uma balsa celeste, percorrendo toda a extensão da criação, sem que achassem a Terra. Então, Izanagi disse:

– Se existe alguma terra, deve estar lá embaixo, onde caíram as partículas mais pesados do Universo.

Ao encontrarem, finalmente, pegaram a lança de jade -Ame-no-nuboko – foram até a Celestial Ponte Flutuante, chamada Ame-no-ukihashi, de onde revolveram as profundezas desconhecidas. Quando a ponta da lança finalmente encontrou a superfície do oceano que foi aos poucos mexido, o líquido que já era espesso ficou ainda mais grosso formando pequenos cristalinos. Ao erguerem a lança, dela caíram gotas que deram origem a uma ilha, chamada Onogoro-shima (Espontaneamente solidificada).

Então, o casal divino decidiu descer para ver o que tinham criado.

Aproveitando um arco-íris como passarela, chegaram a ilha, onde edificaram o augusto altar chamado Yashidono; a augusta coluna celeste, chamada Ama-no-me-hashira e, ao redor desta, uma augusta sala de oito brazas. Assim, aquela terra seria o pilar central do mundo, ao redor da qual se criou outras terras, que foram amarradas a principal.

Então, resolveram percorrer todo o domínio, para que, simbolicamente, tomassem posse, saindo cada um em uma direção. Quando se encontraram, Izanami exclamou:

– Que alegria te encontrar e poder casar com você, meu jovem e amável Izanagi!

Em resposta Izanagi disse:

– Em verdade, és tu, oh Izanami, mais jovem e amável.

Para logo depois, no entanto, repreender Izanami por ter falado primeiro, pois iria contra a ordem natural celestial.

Mesmo diante de tal falha, o casal divino consumou a união, porém devido a sucessivas gestações infrutíferas, o casal celestial decidiu procurar as divindades primordiais em Takamagahara – domínio dos Céus, que lhes revelou que a razão do problema estava em ter Izanami falado primeiro no reencontro divino. Desta forma, o casal de deuses retornou a Onogoro-shima e decidiram fazer o trajeto inicial, contornando seus domínios para ao se reencontrarem a divindade masculina Izanagi falar primeiro. Dessa vez, tudo ocorreu dentro da ordem, e da consumação desta união, nasceram as 8 principais ilhas do Japão.

E assim é contada a criação do Japão

Fontes de pesquisas principais:

Artigo: A criação do mundo e dos Deuses do Japão | Mundo-Nipo.com |Autor: Maria Rosa.
Livro: Legends of Japan | Autor: F. Hadland Davis.
Livro: História da cultura japonesa | Autor: José Yamashiro.
Livro: Japan – Dictionary Culture and Civilization | Autores: Frederic Louis David and Alvaro Iwang.
Livro: A Criação do Mundo – coleção Mitos e Lendas | Autores: Claude-Catherine Ragache e Marcel Laverdet.