Restauração Meiji

Samurais

A restauração Meiji foi um movimento que culminou com o fim do shogunato e restabelecimento do poder imperial, ocorrida em 1868, no Japão. Nesta época, reinava no Japão o Imperador Mitsuhito, mas quem governava era o Shogun Tokugawa Yoshinobu, chefe supremo das forças militares.

C. Perry e Abe

O Japão, nesta época vivia uma política isolacionista de séculos, desde a ascensão de Ieyasu Tokugawa, em 1603, como Shogun. Em julho de 1853, uma esquadra dos Estado Unidos da América, com quatro návios fortemente armados, comandada pelo Comodoro Matthew C. Perry, chegou a Baía de Edo, exigindo a abertura dos portos japoneses para as nações estrangeiras; fato que iniciaria uma cadeia de eventos que resultariam no fim do shogunato no Japão.

Sob forte pressão, foi chamado imediatamente o conselho dos anciões, pelo Shogun Tokugawa Ieisada, e nomeado o porta-voz do bakufu para iniciar as conversas, seu nome era Abe Masahiro (1819-1857). Sua missão era delicada, pois tinha que apaziguar os ânimos divergentes. De um lado estava o Shogun, que havia assinado vários tratados com os americanos, que desejavam a abertura dos portos para ter uma rota comercial para o oriente vindo pelo oceano pacífico; de outro estava o Imperador Komei que desejava manter os estrangeiros fora do arquipélago. Contudo o Shogun que já não tinha a mesma força de seus predecessores e os Daimyo se dividiam, entre os que apoiavam as idéias de abertura e os que não desejavam. Mas o conselho dos anciões desejava abrir um diálogo de negociações e assim foi feito.

Então, Abe resolveu ceder à pressão americana, permitindo a abertura dos portos ao comércio estrangeiro, desde que, os Estados Unidos auxiliassem o Japão na modernização de seu exército. Em março de 1854 foi assinado o Tratado da Paz e Amizade (Tratado de Kanagawa), que concedia a abertura de dois portos japoneses para os navios estadunidenses, além de conceder permissão de que um Cônsul americano pudesse estabelecer morada em Shimoda, na Península de Izu, a sudoeste de Edo. Passados cinco anos, mais cinco portos japoneses foram abertos, por pressão dos Estados Unidos da América, demonstrando a fragilidade do atual governo – Shogunato.

Esses fatos, levaram a uma crise no Bakufu (Shogunato), com debates acalorados, seja por alguns Daimyo e seus samurais, seja pela população em geral. Nesta época, muitos comerciantes haviam prosperado e tinham influência sobre o governo.

Matthew Calbraith Perry

Tentando acalmar os ânimos e cessar as críticas, Abe tentou firmar algumas alianças junto a clãs de famílias menos poderosas do Bakufu, como os clãs Shinpan e Tozama (constituídos dos herdeiros daqueles que no passado haviam se oposto aos Tokugawa, na batalha de Sekigahara). Lógico que isso desagradou os clãs Fudai (clãs mais próximos dos Tokugawa), desestabilizando ainda mais a situação do governo.

Nos anos seguintes, foram abertos portos estrangeiros em várias regiões do Japão, e a cultura ocidental começou a adentrar as fronteiras do Japão, inclusive com traduções de livros europeus para o idioma japonês. Nesta época, cumprindo a promessa estabelecida no Tratado de Kanagawa, uma escola militar ocidental foi aberta em Edo.

Todos esses fatos levaram à destituição de Abe da presidência do Conselho dos Anciões, em 1855, e a nomeação de Hotta Masayoshi (1810-1864) ao cargo de Presidente, que era contra a entrada dos Tozama no conselho e a manutenção dos Fudai como aliados principais dos Tokugawa.

Devido ao evidente enfraquecimento das bases do shogunato, os ideais pro-imperialistas cresciam entre os japoneses, que viam a figura do Shogun como uma amarra ao passado, e desejavam por um futuro de modernização para o Japão. Essas ideias eram principalmente fomentadas nas Escolas Mito – que ensinavam o neo-confucionismo e Shintoísmo. Estas escolas tinham como objetivo principal a volta do poder Imperial, pela restituição da Dinastia Yamato e a retirada dos ocidentais do solo japonês.

As tensões só aumentavam, e em 1859, e um novo tratado foi firmado, em que abria novos portos japoneses à representações diplomáticas, além de ser permitido o comércio sem supervisão dos oficiais japoneses; em tese, poderia ser livremente utilizado o porto japonês para comércio exterior, sem que fosse permitido uma fiscalização do governo do Japão. Neste mesmo tratado, ficou estabelecido as relações extraterritoriais, ou seja, segundo e exegese deste tratado, os estrangeiros em solo japonês não estavam sujeitos a lei do Japão, mas as dos seus respectivos países.

Tais tratados levaram a uma situação insustentável, a Hotta perdeu prestígio e apoio de importantes Daimyo, nesse momento Tokugawa Nariaki, irmão do Shogun, se opôs ao novo tratado, trazendo consigo um número grande de Daimyo. Sem alternativa, Hotta buscou apoio junto ao Imperador. Porém, não previu Hotta que os oficiais do Imperador, vendo a fraqueza do shogunato, lhe negariam apoio e buscariam fomentar a volta do governo imperial e fim do shogunato.

Quando o Shogun Iesada morreu, Tokugawa Nariaki solicitou que o Imperador nomeasse seu filho Tokugawa Yoshinobu como Shogun, que era apoiado pelos clãs Shinpan e Tozam, juntamente os clãs historicamente rivais dos Tokugawa.

Evidente que os Fudai se oporiam à Yoshinobu e apresentariam Tokugawa Yoshintomi ao Imperador, como real herdeiro. E assim foi feito, sendo nomeado Tokugawa Yoshintomi como novo Shogun, e logo após este assinaria mais tratados com cinco outras nações, concluindo a abertura dos portos às nações estrangeiras.Meiji_tenno

Com o novo Shogun, medidas extremas foram tomadas com a finalidade de fortalecer as bases do governo bakufu (shogunato), mas sem abrir mão da modernização da nação. Assim, as forças armadas do Japão foram modernizadas aos moldes dos exércitos japoneses, com oficiais japoneses indo estudar em escolas militares no ocidente, a construção de uma marinha de guerra e a compra de muitos artefatos de guerra, como canhões e metralhadoras para a infantaria.

Mas mesmo com a nomeação do novo Shogun, as forças pro-imperialistas começaram a tomar medidas mais extremistas, formando grupos de revoltosos e iniciaram com ações violentas contra a autoridade do Shogun. Em retaliação, o governo do bakufu realizou um outro tratado com as forças estrangeiras, mas desta vez de cooperação militar naval. Após acalmar os revoltosos, porém, em 1865, Yoshintomi não conseguiu cumprir a sua parte no tratado, o que fez com que as forças estrangeiras tirassem seu apoio ao Shogin. Isto resultou, posteriormente, em derrotas de seu exército nas regiões de Satsuma e Choshu, em 1866, para os grupos de rebeldes.

Em 1867, um fato fortaleceria os imperialistas contra o shogunato, a morte do Imperador Komei, e a subida ao trono de seu filho Mutsuhito. Neste mesmo ano, tentando fortalecer o bakufu, relutante Tokugawa Yoshinobu, assumiu a liderança da casa dos Tokugawa e finalmente se tornou Shogun.

Durante o seu breve governo, ele tentou reorganizar o governo, sob a influência do Imperador, em uma tentativa de manter o poder político do Shogin. Porém, com a forte oposição de clãs como os Satsuma e Choshu, e outros daimyo que apoiavam a volta dos poderes políticos do Imperador, não houve outra alternativa a Yoshinobu, que aceitar as mudanças que lhe eram impostas. Finalmente, em 1867, Tokugawa Yoshibobu abdicou ao cargo de Shogin, restabelecendo o poder Imperial no Japão. Os poderes políticos e militares foram restituídos ao Imperador, terminando assim com mais de 200 anos de domínio dos Tokugawa sobre o Japão.