Shogunato Tokugawa

O Shogunato Tokugawa se iniciou em 1603 e durou até 1869, em que se instaurou um sistema de governo ditatorial, por Tokugawa Ieyasu; este período da história do Japão, que ficou conhecido como período Edo, devido a sede do poder shogunal se localizar na cidade de Edo, enquanto o Imperador ficava na capital Kyoto, vivendo mais como uma figura representativa, enquanto Ieyasu governava o Japão sob o título de Shogun, mantendo o Imperador como uma figura de líder espiritual, enquanto ele e depois seus descendentes eram os líderes seculares. Essa forma de governo, também chamada de Bakufu (governo das tendas), teve seu término com o restabelecimento do poder imperial, na Restauração Meiji.
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O período Edo, durou aproximadamente 300 anos tendo como sede do governo a cidade de Edo, atual Tóquio, onde ficava o castelo do Shogun, e para onde todos os nobres deveriam enviar seus filhos por algum período ou mesmo eles deveriam residir durante algum tempo.

A origem deste sistema se deu durante o período Sengoku Jidai, quando Oda Nobunaga iniciou seu plano de unificação do Japão, sendo sucedido por Toyotomi Hideyoshi, e consolidado por Tokugawa Ieyasu, após a batalha de Sekigahara em 1600, quando a autoridade central é concedida a Tokugawa Ieyasu, que completa o processo de centralização e recebe o título de Shogun em 1603, pelas mãos do Imperador.

Formação do Shogunato

O período Sengoku (do século XV ao XVII), no qual o Japão passava por grande instabilidade política, devido as diversos conflitos políticos entre os senhores feudais, motivados por disputas por terras e poder que culminavam, normalmente, em guerras civis sangrentas. Esses constantes distúrbios políticos, levaram a uma situação de enfraquecimento do poder central, deixando o Japão no caos, prevalecendo o poder do mais forte.

Oda Nobunaga

Oda Nobunaga


O caminho para a unificação do Japão surgiu quando Oda Nobunaga, um poderoso daimyo do período Sengoku, que vendo a situação de enfraquecimento das instituições políticas vigentes na época, resolveu marchar contra seus opositores e por fim aos conflitos, unificando o Japão. Em 1559 iniciou seu processo de unificação, tomando a província de Owari, e seguindo para outras províncias em conflito e impondo a força de seu exército. Em 1568, após pacificar todo o Japão, Oda Nobunaga marchou com suas tropas para Kyoto, onde restaurou a corte imperial (meramente simbólica).

Após restabelecer o poder imperial, Oda Nobunaga permaneceu na capital em busca dos opositores aos seus planos, entre eles a seita budista Ikko-Ikki, que após vencida, teve seu mosteiro Enryaku-ji destruído, em 1575. As conquistas de Oda Nobunaga somente foram possíveis devido a sua visão astuta da evolução das guerras, incorporando em suas fileiras de soldados, um grupamento de infantaria armado com armas-de-fogo, introduzidas no arquipélago por navegadores estrangeiros vindos da Europa. Com esses novos artefatos, Oda Nobunaga firmou sua posição como maior líder militar do Japão, vencendo vários clãs inimigos, entre eles o clã Takeda.

Contudo, neste processo, Oda Nobunaga, por vezes usou de grande tirania, não honrando acordos de paz e causando diversos desentendimentos, inclusive entre seus vassalos. Um deles determinaria o fim de Nobunaga; seu nome era Akechi Mitsuhide.

Quadro de Curiosidade
Akechi Mitsuhide – (1528 – 1582), apelidado Jūbei Yagyu ou Koretō Hyuga no Kami, era um samurai e general que viveu durante o período Sengoku do Japão feudal.

Mitsuhide servia ao Daimyo Oda Nobunaga. Fez muitas campanhas vitoriosas em proveito do seu senhor feudal e, depois de muitas humilhações, se revoltou no ano 1582 contra Nobunaga, e o forçou a cometer seppuku.

O fato ocorreu, em 1579, quando Mitsuhide capturou o Castelo Yakami, de Hatano Hideharu, mediante um tratado de paz, o que representou o cumprimento de seus objetivos. Porém, Nobunaga traiu o acordo de paz e executou Hideharu. Isto desagradou à família Hatano e, logo em seguida, vários vassalos de Hideharu assassinaram a mãe (ou tia) de Akechi Mitsuhide. A situação foi desencadeada por uma série de insultos públicos de Nobunaga dirigidos para Mitsuhide, fato que inclusive chamou a atenção de alguns observadores ocidentais. Mitsuhide culpou Nobunaga pela morte de sua mãe e, no incidente de Honnō-ji, em 21 de junho de 1582, exigiu a sua vingança.

Mitsuhide foi responsabilizado pela morte de Oda Nobunaga. Apesar de não o haver executado pessoalmente, ele o fez cometer seppuku devido à traição e ao subseqüente assassinato de sua mãe. Quando Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu souberam do assassinato, ambos se apressaram para serem o primeiro a vingar Nobunaga e assumir seu lugar. Hideyoshi chegou à Mitsuhide mais cedo, e aliados de Mitsuhide, como Hosokawa Fujitaka, o traíram. Ele sobreviveu por 13 dias até que foi derrotado por Hideyoshi na Batalha de Yamazaki.

O general Toyotomi Hideyoshi, era um vassalo de Oda Nobunaga que lutava ao seu lado, durante as diversas campanhas estabelecidas para pacificar o Japão. Após conseguir destruir as forças de Mitsuhide, Hideyoshi termina assumindo o controle dos exércitos de Nobunaga, com o apoio de seus seguidores. Forjando alianças com vários Daymio importantes, Hideyoshi continuou sua campanha de reunificação, conquistando as províncias de Shikoku e Kyushu. Após muitas campanhas e com quase todo o Japão unificado, ainda faltada conquistar a província de Kanto na região de Honshu, controlada pela família Hojo, forte opositora de Nobunaga e agora de Hideyoshi. Acompanhado por um exército de mais de duzentos mil homens, Hideyoshi derrotou os Hojos, completando o processo de unificação.

Toyotomi Hideyoshi

Toyotomi Hideyoshi


O período de seu governo ficou conhecido como Azuchi-Momoyama, e seu legado foi o de fortalecer a casta social dos samurais, tornando exclusivo o porte de espada apenas para os samurais. Considerado como o segundo grande unificador do Japão, Toyotomi Hideyoshi, no entanto, não pode receber o título de Shogun, pois, vindo de origem humilde, não se enquadrava nas exigências para o cargo. De qualquer forma, governou sobre o Japão unificado, como maior autoridade, depois do Imperador, que tinha muito mais uma liderança espiritual que governamental propriamente dita.

Após a sua morte, o Japão voltou a passar por um período de instabilidade política, tendo sido nomeado, na ocasião de sua morte um conselho de cinco regentes, responsáveis em reger um país até que seu filho Hideyori atingisse a idade para governar. Contudo um destes regentes, Tokugawa Ieyasu, utilizando de grande influência política, adquirida nos anos que serviu a Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi, resolveu quebrar a promessa feita, traindo o sucessor de Hideyoshi, seu filho Hideyori, iniciando uma guerra pelo poder do Japão.

O desfecho deste conflito se deu na batalha de Sekigahara, ocorrida em 15 de setembro de 1600, onde mais de 30 mil japoneses morreram, e que teve como vencedor o clã Tokugawa, abrindo caminho para a ascensão de Tokugawa Ieyasu ao posto de protetor universal do Japão, ou em outro termo, Shogun. Após sua vitória, ainda demoraria 3 anos para Tokugawa ascender ao posto de Shogun, consolidando seu poder sobre todos os outros clãs. A batalha de Sekigawara é considerado um dos conflitos mais sangrentos da história, sendo o marco não-oficial do inicio do governo das tendas, ou Tokugawa-bakufu, que foi o último shogunato que exerceu o controle sobre o Japão. Após o conflito, o Japão viveu um longo período de paz.

Tokugawa Ieyasu

Tokugawa Ieyasu


Foram 200 anos de estabilidade política, evoluindo de uma política militarista para o que chamaram de Bakuhan, uma combinação dos termos Bakufu e Han (domínios). Neste sistema, o Shogun tinha autoridade nacional e os Daimyo tinham autoridade regional, uma nova unidade na estrutura feudal, que era composta de uma extensa burocracia para administrar a mistura de autoridades central e descentralizada.

O sistema criado por Tokugawa Ieyasu previa várias classes de Daimyo, baseado no grau de confiança que o Shogun tinha em relação a essas casas. Assim, os mais próximos da casa shogunal, eram conhecidos como Shinpan. Os membros desta classe de Daimyo eram aparentados de Ieyasu e viviam nas fronteiras das terras dos Tokugawa, num total de vinte e três Daimyo. Normalmente recebiam as maiores honras e serviam de conselheiros do governo.

A segunda classe era formada pelos Fudai; Daimyo que serviram Ieyasu Tokugawa no processo de unificação do Japão e da consolidação do seu poder como Shogun. Eles eram 145 Daimyo e exerciam a maior parte das funções do Bakufu.

Quanto ao terceiro grupo, chamado Tozama, era formado pelos Daimyo que se opuseram a Tokugawa até a sua ascensão como Shogun, mas que agora eram considerados aliados. Normalmente estavam localizados nas áreas periféricas do arquipélago e eram responsáveis pela produção rural do Bakufu. Devido ao fato de terem sido opositores de Tokugawa, antes de ser nomeado Shogun, gozavam de menor confiança e, por isso, não receberam cargos no governo central, embora fossem tratados com generosidade.


Os Tokugawa exerceram grande controle sobre o Japão, mantendo-o como uma unidade política e econômica, fortalecendo suas bases militares e transmutando os rudes samurais da época, em samurais, mestres nas artes da guerra e nas artes eruditas. Sua força foi exercida sobre o Imperador, sua corte e todos os Daimyo e ordens religiosas. Ele soube manter o Imperador sob o patamar da figura divina, lhe agraciando com vários palácios, terras e servos, enquanto o Imperador foi o maior legitimador da família Tokugawa. Para garantir e fortalecer os elo entre o clã imperial e a família Tokugawa, a neta de Ieyasu tornou-se consorte imperial em 1619. Foi nesse período que floresceram as artes no Japão, e os houve um refinamento da classe dos samurais.

Fim do SHogunato Tokugawa

O SHogunato Tokugawa chegou ao seu fim no ano de 1867, após grandes mudanças políticas e da reabertura dos portos do Japão às comunidades estrangeiras, acabando com sua política isolacionista chamada Sakoku, e modernizando o país de um SHogunato feudal para o Governo Meiji.

Mas não foi pacifica a transição, e facções político-ideológicas se enfrentavam com certa frequência, sendo de um lado as forças pro-imperialistas Ishin Shishi (patriotas nacionalistas) e outro as forças do shogunato, incluindo a elite Shinsengumi (corpo do exército recentemente selecionado) de espadachins. No final, um exercito imperial foi criado, nos moldes dos exércitos ocidentais e enfrentaram as forças em prol do Shogunato.

Na verdade, os samurais não eram propriamente contra o Imperador, mas se opunham a ocidentalização do país e perda dos símbolos nacionais e de sua origem. Isso motivado, inclusive por conta do término da classe dos samurais, como casta social. Com o fim do shogunato, os poderes políticos e militares foram restituídos ao Imperador, terminando assim com mais de 200 anos de domínio dos Tokugawa e iniciando o processo de de modernização do Japão.
Samurai sakura