Hagakure

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O Livro do Samurai

Para falar do Hagakure, talvez seja melhor explicar primeiro o que ele não é, ou seja, uma filosofia planejada, quer seja no sentido de conter um argumento lógico e muito estudado, quer seja em relação ao assunto. Ao contrário, é todo permeado por uma tendência antiescolástiva ou antiintelectual. (WILSON, Willian Scott – Introdução Hagakure, p. 23, 2004).

Hagakure - O Livro do SamuraiTrata o livro do modo de vida do samurai, a forma como deveria se portar não somente no conflito, mas principalmente nos momentos de paz, onde a moléstia e a preguiça poderiam levar o samurai a praticar um conduta desassociada do Bushido, o Código do Samurai.

Foi escrito por Yamamoto Tsunetomo, em 1716, e contém o substrato da filosofia e pensamento deste samurai do feudo de Nabeshima, atual pronvíncia de Saga; foi escrito em forma de diálogo, abrangendo vários assuntos. Ele é o registro, não autorizado, de 7 anos de conversas entre Yamamoto Tsunetomo e outro samurai, mais jovem, da região de Nabeshima, chamado Tashiro Tsuramoto, que registrou suas conversas com Tsunetomo em 11 capítulos, contendo 13 mil verbetes, sobre temas diversos, desde discussões sobre utensílios da cerimônia do chá, até assuntos mais profundos como o budismo e o bushido.

O Hagakure pode ser visto como a expressão da sinceridade de Yamamoto. Embora pensasse na morte como o maior ato que um samurai poderia executar para seu mestra, Tsunetomo não era simplesmente um romântico, que se debruçava sobre pensamentos sombrios. Ele estava muito atento aos eventos e assuntos do dia e respondia a eles dentro da estrutura de seu próprio discernimento. Isso ele registrou no Hagakure.(WILSON, Willian Scott, Introdução – Hagakure, p.24, 2004).

Há que se observar que no ano em que Mitsushige faleceu, em maio de 1700, o Japão havia completado exatamente 100 anos de paz. Isto havia deixado os samurais com o mesmo problema das forças militares modernas: o que é feito de um guerreiro disciplinado, orgulhoso, em épocas de paz duradoura?

Se pensarmos neste dilema nos dias de hoje, poderemos perceber o quanto o seu texto é atual, pois enfrenta questões morais que ainda hoje são tormentosas para as nossas instituições sociais.

“Considere então o quê o samurai, guerreiro do Japão feudal fanaticamente obcecado com honra e pronto para dar a vida pelo seu senhor, deve ter sentido ao ver a sua profissão se estagnar. O próprio Tsunemoto foi proibido de cometer junshi, o suicídio ritual em que o vassalo segue o seu senhor na morte, pelo Shogunato Tokugawa, e isso sem dúvida contribuiu para a sua frustração. Portanto, sob um ponto de vista, Hagakure não é apenas “O Livro do Samurai”, mas um último suspiro de uma casta em extinção.” (INSTITUTO NITEN)

Redação e organização de Texto: Instituto Ishindo.

Fontes de Pesquisa:
– Hagakure (YAMAMOTO TSUNETOMO).
– Instituto Niten.
– Pensamentos do Budô (WILLIAN SCOTT WILSON).

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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