Importância da limpeza do Kimono

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Nos idos dos anos 80 e 90, sinônimo de bom lutador era aquele que, além de rude, no sentido de ser grosseiro, com cara de mal, ainda tinha que ter a orelha estourada e o kimono surrado, em alguns casos até sujo.
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Contudo, aos poucos esta imagem vem sendo combatida dentro das academias, e o casca-grossa não precisa mais ser aquele cara carrancudo, que tem sempre o semblante tenso como se fosse entrar para uma luta.

Com a popularização da arte suave, e com cada vez mais adeptos do treino para o bem estar e saúde, a exigência por higiene vem crescendo. Inclusive nas competições hoje, é regulamentar que o kimono esteja limpo e na padronagem exigida pela CBJJ.

Mas se enganam aqueles que pensam que isso é fruto da modernização das artes marciais. Os antigos Samurais eram guerreiros excepcionais no combate, sempre prontos para a guerra, mas nem por isso, descuidavam da aparência e higiene pessoal, sendo considerado uma falta grave o descuido com a aparência. Assim, ao acordar, vestiam seus kimonos sempre limpos e passados, penteavam o cabelo com grande cuidado e mantinham-se limpos e asseados.

Da mesma forma os cavaleiros medievais, tinham um grande cuidado com suas armaduras e ornamentos (Estandartes, roupas e etc.).

Considerando que o termo ocidental “arte marcial” deriva do Deus Marte; considerando que as artes marciais, portanto, são as artes da guerra do Deus Marte, temos que as artes marciais são aquelas empregadas na guerra.

Desta constatação temos o exemplo moderno das Forças Armadas, em que a rigidez do treinamento esta equiparada a rigidez e disciplina exigida dos soldados para com sua roupa, arrumação dos dormitórios e armas.

Este é só um exemplo de que em qualquer instituição marcial a disciplina com os equipamentos de uso para a prática da arte é rígida, com forte apelo para a limpeza e higiene pessoal, tanto na antiguidade quanto nos tempos modernos.
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Da mesma forma tanto aos guerreiros da antiguidade, quanto aos soldados dos tempos modernos, em sua formação é ensinado as regras de gentileza e bom convívio social, integrando-se a comunidade em que estejam inseridos.

Assim, é um grande equivoco pensar que desgaste do equipamento de treino (kimonos, faixas etc.), bem como falta de higiene, e ainda uma conduta carrancuda e rude pode ser sinônimo de casca-grossa.

O lutador de Jiu-Jitsu pode ser uma fera nos tatames e um cavalheiro no seu meio social; pode se manter com o kimono limpo e asseado, e continuar a ter uma técnica apuradíssima.

Após cada treino, o kimono deve ser tirado da mochila e, no mínimo ser pendurado para secar. Se possível, sempre lavado. Isso mostra respeito por si, pelos seus amigos de treino e pelo Dojo.

Lembre-se que ninguém é obrigado a treinar com um companheiro que não preza pela higiene.

É importante, contudo, esclarecer que não é uma crítica quanto a utilizar um kimono velho e puído ou remendado, pois, muitas vezes esse é o melhor e mais confortável, entretanto, ele não precisa estar sujo. Pode-se utilizar um kimono velho, porém limpo.

Nesse sentido, inclusive, conforme dito, as Confederações e Federações alertam para a grande importância da limpeza do Kimono, orientando como deve ser a higiene do mesmo. Hoje, sendo motivo de desclassificação do atleta que se apresenta com kimono sujo e fedendo.

Esses cuidados não são meramente por conta das regras sociais de bom convívio, mas por questões de saúde, uma vez que são inúmeras as doenças que podem ser transmitidas por conta da falta de higiene adequada.
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O nosso meio-ambiente é extremamente hostil, repleto de bactérias, que podem se alojar no kimono, ou no ar ou no solo. Lembrando que, nos treinos, passamos a maior parte do tempo no solo. Portanto, o ambiente de treino também deve estar devidamente asseado.

Aos poucos tenho visto uma mudança de paradigmas, em que muitos praticantes recusam treinar com outros que chegam com kimonos sujos e fedendo ao treino. Tal conduta, embora possa causar um certo desconforto, termina por resultar em um comportamento coletivo salutar, criando bons hábitos entre os praticantes.

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Sobre o Autor

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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