Kawai Sensei

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Kawai Shihan

Reishin Kawai, 8 º dan , filho de Tomonobu Kawai e Matsuno Kawai, nasceu em 28 de fevereiro de 1931, na cidade de Yasugi, Shimane, no Japão. Em sua juventude, ele estudou Aikido com Torataro Saito, que também lhe ensinou a medicina oriental. Mais tarde, ele continuou seus estudos no Aikikai Hombu Dojo com o Fundador, O-sensei Morihei Ueshiba, juntamente com o filho do fundador, (então) Waka-Sensei Kisshomaru Ueshiba. Ao mesmo tempo, ele se formou como um MD em Medicina Oriental da Universidade de Tsukushoku, sob a tutela de Mishimasa Nishizawa.Kawai Sensei começou a lecionar as disciplinas de Acupuntura Geral e Técnica de Moxa na Faculdade de Medicina Oriental da Universidade Tsukushoku; nesta época acumulou a função de Presidente da Nihon Kobudo Iho Fukyukai, a Sociedade Japonesa de Artes Marciais e Estudos de Acupuntura.
Em 1963, o Fundador do Aikido, Morihei Ueshiba, lhe presenteou com o Shihan diploma (o reconhecimento oficial como professor nível Master) e deu-lhe a missão de introduzir o Aikido no Brasil – uma missão Kawai Sensei aceitou sem hesitação.De 1976 a 1984, foi vice-presidente da Federação Internacional de Aikido (IAF), posteriormente tornando-se diretor-geral da Federação de Aikido sul-americano, e o representante oficial do Aikikai Hombu Dojo no Brasil em 02 de outubro de 1975.
Ele casou-se com Letícia Okubo e tornou-se pai de duas filhas, Cristina e Lilba Okubo Kawai, e o avô de dois netos, Lariza e Matias. Até a sua morte prematura, Kawai Sensei foi o mais graduado praticante de Aikido na América do Sul. Ele dedicou sua vida a promover Aikido e treinar instrutores de Aikido. Kawai Sensei continuou ensinando até pouco antes de sua morte em 27 de janeiro de 2010.Foi impressionante sentir a energia fluindo através de seus movimentos, e eis que o conhecimento e domínio com o qual exercia as técnicas de aikido – até o fim.

Kawai Sensei foi, sobretudo, um estudioso do Aikido e do caminho espiritual. Neste sentido recebeu o título de “Chukkyo-jo” (Bispo) em 20 de setembro de 1952, de seu Mestre – Arcebispo e Cardeal – Nagayassu Minamoto. Detinha ainda os títulos de Doutor Honoris Causa em Teologia.

Foi justamente na comunidade liderada pelo Doutor Nagayassu Minamoto, que Reishin Kawai teve a formação religiosa e aprendeu os segredos da medicina oriental. Também, foi onde iniciou seus treinamentos em várias artes marciais, especialmente o aiki-no-jutsu.

Nagayassu Minamoto foi o representante do clã Minamoto, também conhecido como clã Genji, que teve um importante papel na história do Japão. Devido à sua posição de líder da família Minamoto, mantinha relações de amizade com o Primeiro Ministro do Japão, Sr. Shigueru Yoshida (1878-1967). No circulo de amizades do Doutor Nagayassu Minamoto, tinham ainda entre personagens como, Hayato Ikeda (Ministro da Fazenda), Kojiro Tsutsumi (Presidente da Assembleia Legislativa) e “Taisho” (General) Taro Katsura, (ex-Primeiro Ministro do Japão), com os quais, Reishin Kawai matinha um relacionamento de respeito e admiração.

Devido ao circulo de pessoas que seu mestre Nagayassu Minamoto lhe proporcionou, em 24 de novembro de 1955, Reishin Kawai foi convidado a demonstrar suas habilidades em aiki-no-jitsu e outras artes marciais, bem como nos conhecimentos da medicina oriental no Templo Meguroku Gohyaku Rakanji e Tokyo.

O Monge Okoi, responsável pelo Templo Meguroku Gohyaku Rakanji, foi assessor de “Taisho” (General) Taro Katsura (Ex-Primeiro Ministro do Japão), e provavelmente a pedido deste Reishin Kawai Sensei foi convidado. É importante nota que o referido templo era frequentado por importantes nomes do cenário político, econômico e social do Japão, tal como o do fundador do Aikido, Kaiso Morihei Ueshiba.

Entre 1959-1960, o Arcebispo e Cardeal Doutor Nagayassu Minamoto, indicou o nome de Reishin Kawai para sucedê-lo no patriarcado de seu clã. Quando Reishin Kawai precisou responder se aceitava esta missão sentiu uma grande dificuldade em decidir-se.

Nesta mesma época, Reishin Kawai foi recomendado para se tornar um “Ryoshin Ryu Bui Kanguen-jutsu Shiatsu Ryoho” (médico em medicina oriental) do Palácio Imperial para cuidar da saúde do Imperador Showa. Esta sugestão partiu de Aimassa Irie e da esposa do Conde Kensho Ueshigue, com os quais Reishin Kawai mantinha um relacionamento estreito.

Aimassa Irie – a esposa do Conde Kensho Ueshigue – e a mãe da princesa Mikassa, Kuniko Takagui, eram primas. Por outro lado, Conde Kensho Ueshigue era irmão da esposa do Duque Rikeri Okubo que era filho de Toshimiti Okubo, primeiro Ministro da Fazenda do Japão da era Meiji.

Kensho Ueshigue era 15º na descendência de seu clã e Takanori Ueshigue o 16º e a esposa deste, Sra. Toshiko, era prima da imperatriz Showa. O pai da Sra. Toshiko, Duque Iemassa Tokugawa, foi presidente da Câmara dos Nobres do Japão.

Riken Okubo e esposa, Kensho Ueshigue e esposa e Kinya Fujita (primo de Riken Okubo e Vice-Presidente do Aikikai), cujo secretário particular foi Seiji Seko que exerceu o cargo de Diretor-Gerente do Aikikai, todos eles mantiveram relações de amizade com Reishin Kawai por mais de 20 anos.

Diante deste quadro, antes de qualquer decisão, Reishin Kawai resolveu empreender uma viagem de um ano para espairecer as ideias e vivenciar experiências em outras terras. Mas, ouviu várias recomendações contrárias a essa viagem vindas de pessoas como Gombe Yamato (diretor do Keidaren, equivalente ao Ministério da Economia), “Taicho” Takarabe (Ministro da Marinha), Eisuke Yamamoto (Comandante Geral da Marinha) e de Takeo Takagui (Vice-Presidente da Toho Rayon e presidente da Toho Petron).

Mesmo assim, seguindo o que seu coração, Reishin Kawai resolveu viajar ao Brasil por um ano. No Brasil, andou pelo seu interior, visitando várias comunidades nipônicas, tratando da saúde das pessoas com acupuntura e shiatsu. E ao fim do prazo, resolveu prolongar sua estada, em razão da insistência de seus pacientes.

Em 1961, o Mestre Munashigue, 9º dan de Aikido, representante internacional do Aikikai, determinou para que Reishin Kawai fosse representante do Aikido no Exterior cuidando desta arte marcial no Brasil.

Em 09 de janeiro de 1963 Reishin Kawai Sensei abriu sua primeira academia no centro de São Paulo. Em 28 de fevereiro de 1963 recebeu o título de Shihan, concedido pelo Mestre Morihei Ueshiba.

Em 19 de outubro de 1963 casou-se com Sra. Letícia Minako, que era uma descende de parte da família imperial do Imperador Saga. Yoshifussa, filho do imperador Saga foi político influente exercendo altos cargos na política japonesa chegando “Dai jo Daijin” (equivalente ao atual nível de 1º Ministro). Na dinastia do Imperador Koko (830-887), o herdeiro Mototsune recebeu o título de Kampaku (título dado pelo imperador significando posição de importância na política do Japão). Neste clã contam-se ainda outros 18 nomes de “Dai jo Daijin” e seis nomes de “Kampaku”.

Em outubro de 1968, Reishin Kawai voltou ao Japão para discutir as condições para se tornar o “sooke” (comandante supremo) do Aiki-no-jutsu. Encontrando-se também com o Mestre Morihei Ueshiba e com seu filho Kishomaru, admirando-se pela personalidade de ambos e resolvendo permanecer ligado ao Aikido do Hombu Dojo.

O Monge Zengui Takaki do templo Meguro Rakanji, por ordem do diretor geral da Nihon Shotoku Taishikai, ligada a seita Kaminoya do templo Isse Kodaijingu, veio ao Brasil trazendo uma imagem do deus Amaterasu Oomi Kami para um templo no Guarujá-SP. Morihei Ueshiba era conhecido do monge Zengui Takaki que promoveu, no Japão, um grande acontecimento no Templo Fukugawa Hatiman, convidando figuras importantes, para homenagear Reishin Kawai.

Em 1970, uma ex-secretária do Presidente Getúlio Vargas, que se admirou pela eficácia das habilidades de tratamento do Reishin Kawai, convidou-o insistentemente para que fosse trabalhar nos Estados Unidos, porém, seu sogro foi contrário e resolveu ficar no Brasil.

Em 1973, Kitisaburo Ozawa, mestre 9º dan do Hombu Dojo, recomendou que cortasse os laços de relacionamentos com a dissidência do Aikido Shin Shin Toitsu e com o seu criador Koiti Tohei e continuasse fiel às orientações de Kishomaru Ueshiba.

Em 1975, Dr. Carlos Lacaz, diretor de Faculdade de Medicina da USP e ex-Secretário da Saúde do Estado de São Paulo, sofria de incontinência de soluços e Reishin Kawai o curou. Deste contato resultou num convite do para lecionar Medicina Oriental na USP. Porém Reishin Kawai teve de recusar a este convite por não dispor de tempo em sua agenda.

Em 1976, o Catedrático da Toyo Shinkyu Gakko (Escola de acupuntura), Dr. Mitimassa Nishizawa, também paciente de Reishin Kawai, considerou que sua técnica, o Ryoshin ryu bui kanguen jutsu shiatsu ryoho, era a melhor do Japão.

Em 1978, Kishomaru Ueshiba, o então Dosho, foi convidado por Reishin Kawai a visitar o Brasil, Uruguai e Argentina. Nesta ocasião, Kishomaru Ueshiba teve uma conversa reservada com Reishin Kawai na qual comentou a respeito de uma carta recebida do Brasil que maldizia, de forma ofensiva, o caráter de Reishin Kawai.

Porém, contrário a que poderia ter acontecido, Kishomaru Ueshiba recomendou que Reishin Kawai não desse importância à mesma e continuasse normalmente seu trabalho em prol do Aikido no Brasil. Neste encontro, Reishin Kawai reconheceu a grandeza de espírito da figura do Dosho. Esta carta referia-se a Reishin Kawai como alguém mais radical do que os comunistas. Seigo Yamaguti, 8º dan de Aikido, comentou este fato ditando um provérbio japonês que diz: “só as árvores altas sentem o vento”, isto é, quanto mais importante se torna, mais ataques recebe.

Kawai, lembrando que o Primeiro Ministro Shigueru Yoshida fora duramente criticado por Sanzo Nozaka, um comunista, percebeu que quanto mais famoso ficava um personagem mais criticado era. Assim, Reishin Kawai conformou-se com as ofensas.

OUTROS FATOS HISTÓRICOS

  • Em 1979, Kawai Sensei fundou a Federação Paulista de Aikido, ocupando o cargo de presidente por seis anos. A partir de então, acumulou vários outros cargos: Presidente de Honra Federação de Aikido do Paraná; Conselheiro da União Argentina de Aikido; Presidente de Honra da Associação Peruana de Aikido; Presidente de Honra da Associação de Santa Catarina de Aikido; Presidente de Honra da Associação de Aikido de Salvador, Bahia.
  • Em 1980, participou em Paris do Congresso Internacional de Aikido, quando foi nomeado vice-presidente da Federação Internacional de Aikido exercendo este cargo por oito anos consecutivos.
  • Em 1986, foi Milão, Itália e participou de Demonstração Internacional de Aikido, patrocinada pela Federação Internacional de Aikido.
  • Em 1990, Kishomaru Ueshiba, Doshu do Aikido Hombu, voltou ao Brasil, Uruguai e Argentina e o Mestre Reishin Kawai acompanhou-o durante toda sua estada, preocupado pela frágil condição de saúde do Doshu.
  • Em outubro de 1990, foi ao Japão para participar dos Festejos de 60º aniversário do Hombu Dojo, realizado no Keiyo Plaza Hotel de Tokyo.
  • Em 1995, o presidente da Federação de Aikido de Hiroshima, Shihan Massakatsu Kitahira veio ao Brasil e novamente Reishin Kawai foi o anfitrião. Nesta época, Kawai Sensei enviou ao Japão para treinamentos vários alunos(com as passagens e estadia no Hombu dojo)
  • Em 1995, Herbert Gomes Pizzano, foi ao Hombu Dojo para treinamentos.
  • Em 1996, Mestre Seijiro Massuda, Diretor Técnico do Hombu Dojo, veio ao Brasil, visitando também a Argentina.
  • Em 1996, foi ao Japão para treinamentos no Hombu Dojo, Yassushi Nagao, Antonio Pádua, José Luiz Angelita (Argentina) e Silvia Corte (Argentina).
  • Em 1996, veio ao Brasil o Secretário Geral Hombu Dojo, Shihan Massatake Fujita acompanhado do Shihan Massakatsu Kitahira.
  • Em 1997, veio ao Brasil Shihan Shoji Seki, 7 º grau.
  • Em 1997, veio ao Braisl Shihan Massatake Fujita e Shihan Massakatsu Kitahira.
  • Em 1997, foi ao Hombu Dojo para treinamentos, Roque Vargas Filho, Sérgio Furuyama, Orlando Garcia (Chile) e Manoel Victor Merea (Peru).
  • Em 21/02/1998, faleceu sua esposa Sra. Letícia Minako.
  • Em 1998, veio ao Brasil Shigueru Sugahara, 6º grau.
  • Em 1998, veio ao Brasil Shihan Massatake Fujita, 8º grau.
  • Em 1998. foi ao Hombu Dojo, Antonio Rodrigues, José Roberto Bueno e Enrico Guizones. Após o término do período de treinamentos visitaram Osaka, Nara e Kyoto, ciceroneados pelo irmão mais velho de Reishin Kawai.
  • Em 1999, veio ao Brasil, Shihan Massatake Fujita.
  • Em 1999, foi para treinar no Hombu Dojo, Roberto Nobuhiko Maruyama e Ricardo Montenegro. Visitaram Osaka, Nara e Kyoto, acompanhados pelo irmão mais velho de Reishin Kawai.
  • Em 2000, veio ao Brasil pela 6ª vez, Shihan Massatake Fujita.
  • Em 2001, foi ao Hombu Dojo, Paulo Fujita e Edgard Novelino. Acompanharam os dois, mas sob suas expensas, Carlos Alberto Grisalt. Também visitaram Osaka, Nara e Kyoto ciceroneados pelo irmão de Reishin Kawai.
  • Em 2001, participou dos festejos do 70º aniversário do Hombu Dojo, realizado no Keiyo Plaza Hotel de Tokyo, Japão.
  • Em 2001, veio ao Brasil, Shihan Massatake Fujita.
  • Em 2002, veio ao Brasil, Shihan Massatake Fujita.
  • Em 2003, veio ao Brasil, Shihan Massatake Fujita, acompanhado de sua esposa.
  • Em 2003, realizou a Demonstração anual de Aikido, nas dependências do Sesc-Pompéia, comemorando o 40º aniversário do Aikido no Brasil, recebendo a visita do Shihan Katiya Nakamura, 7º grau, presidente da Federação de Aikido de Yamaguti-ken.
  • Em março de 2004, veio ao Brasil, Shihan Massatake Fujita, acompanhado de sua esposa.
  • Em outubro de 2004, visitou o Brasil, Shihan Seijuro Massuda, 8º grau.
  • Em novembro de 2004, a União Sul-americana de Arte do Aikido, promoveu a demonstração anual no Estádio Mauro Pinheiro no Ibirapuera.

*Todos os acontecimentos estão baseados em cartas fotos e documentos que comprovam a legitimidade desta biografia.

Fontes:

União Sul-Americana de Aikido

Reishin Kawai Dojo

Associação Reishin Kawai – Recife

Associação de Aikido da Bahia

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Sobre o Autor

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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