Santuários Budistas

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budaO budismo surgiu na índia e foi introduzido no Japão, através da China e Coréia no século 6º, segundo consta na história, por Kudara no 13º ano do reinado do imperador Kimmei (552 d.C.). Muitas seitas evoluíram e foram absorvidas pela cultura japonesa.

Com a introdução do budismo no arquipélago, novas técnicas arquitetônicas foram trazidas do continente, principalmente no que diz respeito a construção de templos. A ornamentação característica de construções do Império Chinês, se fez presente: superfícies esculpidas, pintadas, laqueadas ou douradas, com certos detalhes como os capitéis decorados sob o forro, colunas decoradas e coberturas de palha com perfis esculpidos.

Tomando por base este modelo, foi construído, em Hojoki (Nara), no ano de 588 d.C., os primeiros santuários budistas japoneses. Em contraste ao santuários Xintoístas, que eram construídos sob rígidas normas, os primeiros templos budistas, possuíam um pavilhão cultura (kondo), uma pagode para abrigar objetos sagrados, uma sala de leitura e edifícios para os monges.

O Desenvolvimento dos Templos Budistas

A arquitetura dos templos budistas sofreu por mudanças significativas a partir do século VI, e no decorrer dos séculos. Se no princípio os santuários budistas, assim como os xintô, apresentavam estruturas em madeira mais simples, a arquitetura budista mais recente se caracteriza por uma ornamentação ostentadora, desde a superfície até a estrutura. Por exemplo, os capitéis do templo de Nikko (século XVII) são esculpidos com cabeças de dragões e unicórnios.

Elementos Externos

Precedendo aos templos, alguns elementos decorativos podem ser identificados, uns com mais proporção, outros constituindo-se de detalhes decorativos.
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Torii na entrada

O budismo introduzido no Japão, sofreu influência da cultura local, e muitos elementos do xintoísmo terminaram por serem absorvidos pelo budismo. O Torii foi um destes elementos e muitos templos e santuários são precedidos por um Torii, que fica na entrada do santuário.

Portais

Muitos templos são precedidos de portais extremamente trabalhados, que se essemelham à estrutura dos templos budistas, e servem para enunciar os sítios budistas. Um bom exemplo destes portais é o do templo de Aqui, o portal oriental do templo de Nishi-Honwan-Gi em Kyoto, extremamente decorado, sugere a riqueza, a importância do sitio e o valor das oferendas aos deuses.
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Estrutura do templo

Os primeiros templos budistas eram construídos em forma de pagode chinês, e foram introduzidos no Japão, sob a influência dos primeiros monges missionários budistas. Estes locais eram frequentemente utilizados como locais de culto e meditação, sempre bem ornamentados com sinos de bronze e bandeiras.

Sua planta arquitetônica era quadrada, com escadas ao centro e em cada um dos lados, contendo uma varanda circundando toda a estrutura, sob um grande beiral.

O interior de um Templo

No início os templos serviam para abrigar imagens e oferendas aos bodhisativas, mas a partir do século XII, os templos tornaram-se locais para orações, então os seguidores desta religião poderiam entrar e rezar. Enquanto novos templos eram construídos com uma estrutura maior, os templos antigos eram reformados, ganhando espaços maiores, para acolher os fiéis, atingindo proporções impressionantes. Os detalhes ornamentais começaram a aparecer, como exemplo a composição do teto, beirais e colunas.

Os Capitéis

Capitéis são as estruturas que estão na extremidade superior das colunas e sustentam o teto das construções da época. Nos santuários budistas este elemento, além de sustentar o teto, ainda servia como parte da decoração, pois eram ricamente ornados decorando os beirais das sacadas. Sua concepção, nos santuários budistas, era feita em um conjunto de peças de madeira amalgamadas, formando um bloco decorativo, útil e belo.

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Os detalhes de uma coluna

As colunas dos templos também recebiam ornamentação de diferentes motivos, desde rendas, até animais lendários como dragões e muitas vezes recebiam folheamento em ouro. Tanto a base, quando o topo da coluna recebiam tais ornamentações e podiam ser decoradas ainda com lanternas japonesas de papel.

Essas colunas serviam de sustentação do templo e também dos portais que os precediam.

Os Tetos

Nos templos budistas, outro elemento, frequentemente muito decorado eram os tetos, que normalmente eram recobertos de painéis em madeira, separados por barras de madeira ou metálicas folheadas a ouro e com figuras esculpidas em baixo e alto relevo.

Características ornamentais

Tanto na parte exterior, quanto no interior dos templos, elementos ornamentais eram muito apreciáveis. Isso decorre, principalmente pela influência da cultura chinesa.

Coluna em bronze

Esta coluna é semelhante a um obelisco, colocada sobre uma plataforma de pedra, possuía escrituras budistas gravadas em ouro.

Sino

Sinos

Feitos em bronze, estes objetos constituíam um importante elemento arquitetônico, servindo de elemento essencial à prática do culto budista, tanto para questões sensoriais auditivas como visuais. Na prática dos cultos, os monges utilizavam cânticos, tambores, gongos e sinos para criar uma atmosfera solene e reflexiva.

Monumentos

Alguns objetos têm papel importante no budismo, entre eles as lanternas (ishidoro) esculpidas em madeira ou pedra, que se localizam nos locais internos do santuário, como jardins e entradas dos sítios budistas. Frequentemente, tais lanternas são vistas em jardins privados.
Lanternas
Outros tipos de monumento podem ser visto em florestas consideradas sagradas e podem possuir de 3 a 6 metros de altura. Eles são construídos em diferentes formas e materiais e servem para indicar locais sagrados ou proximidade de templos e santuários.

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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