Soji e o Zen

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Soji é uma palavra japonesa e significa o ato de “limpar”; no Japão existe uma tradição nas escolas de ensino regular e também nos templos e dojos de artes marciais, que é a limpeza do local ao final das aulas; é chamada de “soji no jikan”, algo como a hora da limpeza.

soji - judo

Normalmente, formam-se grupos (para cada parte do dojo, escola, templo) com um líder ou coordenador, e os alunos, monges ou discípulos – dependendo do caso – pegam seu material de limpeza e põe-se a limpar o local (escola, dojo, templo), por tempo não maior que 15 minutos. Ao final da limpeza o líder de cada grupo verifica ou inspeciona o local, diz algumas palavras motivacionais, reverencia a todos e determina a dispersão do grupo.

Há que se ressaltar o fato de que na hora do “soji”, principalmente nos dojo’s, não existe diferenciação entre mais graduados e menos graduados, apenas uma distinção em quem dará o comando da limpeza, mas que também ajudará com esta e todos devem limpar, seja o tatame, o banheiro ou outro cômodo.

Em alguns Dojo’s no Brasil já se pratica o “soji”, como forma de se manter o Dojo sempre limpo e ao mesmo tempo cultivar nos alunos o sentimento de humildade e respeito mútuo.

Deve-se notar que em muitas academias de artes marciais, o Dojo (sala de treinamento), onde ficam os tatames, é utilizado para a prática de várias artes marciais; normalmente sendo uma aula seguida da outra. Ou seja, no mesmo local onde há uma aula de karatê ou muay thay – lutas predominantemente em pé – depois haverá uma aula de jiu-jitsu, por exemplo – luta predominantemente no chão.

Assim, perceba o quanto ruim é, para o praticante de outra arte, chegar e treinar em um local sujo e cheio de suor de outras pessoas. Isso, inclusive já foi tema de matérias sobre infecções que se pode contrair em locais de prática esportiva com pouca higienização.

susu harai

O mesmo caso pode ocorrer entre praticantes de diferentes estilos – em pé ou no chão – ou do mesmo estilo; caso que se verifica em aulas seguidas do mesmo estilo. Ou seja, na academia tem aula de um estilo marcial em dois horários seguidos. Então, os alunos que chegam para treinar no segundo horário,  pegam o tatame sujo, molhado e, às vezes fedendo.

Então, acredito que a prática do “soji” deveria ocorrer em todos os dojo’s  aqui em nossas terras tupiniquins, como forma de higiene, educação e respeito ao próximo.

É importante criarmos uma consciência de que o soji nos ajuda a limpar não só a academia, mas nosso ego, orgulho e impurezas do espírito. Manter a mente – durante o ato do soji –  pura, vazia de intenções e pensamentos é trabalhar em si o zen, purificando a mente, o corpo e a alma; e cultivando o respeito pelo nosso corpo, pelos nossos colegas de treino, nosso Mestre e o nosso Dojo (local onde buscamos a iluminação).

Redação: Instituto Ishindô

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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