Taiko

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A palavra Taiko significa “tambor” em japonês, e serve para descrever um instrumento de percussão coberto com uma pele de boi, esticada em suas extremidades. Sua estrutura básica é formada por um corpo de madeira em formato de barril com duas faces cobertas por pele animal.
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Seu surgimento se deu na era Jouman e Yayoi (até 2000 a.C.), quando ainda eram utilizados como ferramenta para afugentar predadores ou para dar ritmo às cerimônias religiosas. Em determinado momento, que não podemos precisar, sua utilização passou a ser freqüente em quatro contextos: em cerimônias religiosas, na guerra, em festas e na comunicação.

A crença na força mística do Taiko resistiu até os dias atuais, nas religiões presentes no Japão (Budismo e Xintoísmo).
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Nesse contesto, quando utilizado para fins de cerimônias religiosas, costumava-se fazer jejum e manter-se em total abstinência, fazendo-se um ritual de purificação do corpo e somente depois se tocada o Taiko, acreditando-se que os deuses desceriam à terra para atender os pedidos dos homens. Por este motivo o Taiko ganhou o status de instrumento sagrado que possibilita a comunicação entre os Kamis (divindades) e os homens.

Para os senhores feudais do Japão antigo, o Taiko representava um estimulo aos guerreiros, pois o som que saia destes instrumentos era capaz de elevar o moral da tropa, conferindo coragem aos guerreiros, que fortaleciam o espírito para a batalha.

Dessa forma, foi necessário desenvolver um tipo próprio de taiko de guerra, que foi chamado de Jindaiko. A intenção desta modalidade de taiko era fazer com que o som de suas batidas entrasse em harmonia com o coração do guerreiro, aquecendo o sangue e estremecendo os músculos.

Seu uso no campo de batalha passava desde a motivação para a luta, até como forma de ajudar a marcar o passo na marcha e ainda servindo para anunciar comandos dos oficiais. Ao se aproximar ou entrar no campo de batalha o taiko yaku (toque de tambor) era responsável por determinar o passo da marcha, usualmente com seis passos por batida do tambor (batida-2-3-4-5-6, batida-2-3-4-5-6).

De acordo com uma das crônicas históricas (o Gunji Yoshu), nove conjuntos de cinco batidas serviam para levar um batalhão à batalha, enquanto nove conjuntos de três batidas aceleradas três ou quatro vezes e seguidas pelos gritos “Ei! Ei! O! Ei! Ei! O!” era a chamada para avançar e perseguir o inimigo.

Na época medieval japonesa, os Taiko’s eram colocados estrategicamente em torres de vigília, que serviam para indicar as horas do dia, mas principalmente como defesa da vila, pois, ao menor sinal de perigo de invasão o encarregado de tocava-o avisando a todos do perigo. Isso ocorria também em casos de incêndio ou quaisquer outras emergências de caráter público.

O serviço de tocar esse Taiko era de natureza pública e o administrador da vila indicava uma pessoa para fazê-lo, sendo o cargo transmitido de pai para filho.

Além de sua utilização na guerra e nas atividades religiosas, o taiko ainda é muito utilizado em festivais populares ou cerimônias de todos os tipos, servindo para motivar os participantes a puxarem os carros alegóricos, enquanto outros participantes dançam e cantam continuamente. Este importante instrumento musical foi de fundamental importância para fixar ainda mais sua presença e influência profunda na sociedade japonesa. O som produzido pelo toque dos tambores japoneses (taiko) estimulam a quem os ouve, e enche de vida todos que estão em volta.

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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