Templos Xintoístas

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Templos xintoístas são lugares de paz e harmonia, normalmente construídos em locais isolados, são muito procurados por pessoas que desejam fugir um pouco da movimentação da cidade grande.

Essa fuga dos tumultuados centros urbanos, se inicia com a travessia de um portal, chamado Torii. Símbolo mais reconhecido do xintoísmo, estes portais marcam a entrada de recintos sagrados do santuário. Muitos são feitos de madeira e pintados de vermelho, outros são feitos de pedra ou concreto.

Estes santuários, em sua grande maioria, estão localizados em terrenos elevados, cercados de pequenas reservas florestais, possuem um vista privilegiada das cidades. Segundo as crenças xintoístas, os espíritos e divindades locais vivem nestas pequenas florestas. Assim, tais santuários constituem pequenos oásis no meio do concreto urbano.


O chão que dá acesso a estes santuários, normalmente está recoberto de pedriscos, o que induz a uma caminhada mais pausada e reflexiva. Os visitantes perceberão que – devido à postura mais silenciosa e reflexiva, o caminhar sobre este piso produz um som que redireciona os nossos sentidos.

No pátio, podemos ver lanternas japonesas e monólitos com ideogramas gravados em baixo relevo ou esculturas de leões do folclore japonês que servem para afugentar os maus espíritos. Também, encontra-se um espaço onde há um poço ou reservatório de água, com conchas colocadas metodicamente organizadas, para o ritual de purificação, em que o praticante do xinto ou os turistas podem lavar mãos e pés enquanto começam a desacelerar e podem desfrutar de um estado mais calmo. A entrada nestes locais define o limite entre a cidade e o espaço sagrado.

O prédio principal destes santuários, normalmente são construídos em madeira, com suas colunas retas fincadas diretamente no chão; seu telhado , em contrates com as linhas retas do prédio, possuem um suave curvatura, pode ser coberto de capim seco, cobre ou pedra, sustentado por uma armação de madeira e metal. A utilização de diferentes tipos de materiais e formas, compõem um arranjo harmonioso, que nos leva a um instante de paz, diante do caos da vida moderna.


Na entrada principal do templo ver-se uma corda de palha de arroz, chamada Shimenawa, pendurada no alto do santuário – segundo a crença xintô – para separar os lugares sagrados dos seculares. Ver-se ainda, de forma variada, lanternas, guirlandas, talismãs, dependendo do santuário. Novamente, encontramos alguns koma-inu, mistura de leões e cachorros de pedra que guardam o local.

O xintoísmo (Caminho dos deuses) é a mais antiga e genuína religião do Japão, diferente do budismo, que nasceu na Índia e sofreu influência na China, até chegar no arquipélago japonês. Diferente das religiões ocidentais, não há um fundador ou cânone, nem sequer uma autoridade central.

Embora não exista um clero formal, sua teologia é muito rica, com tradições de participação popular, instrumentalizadas em festivais e feriados religiosos. Não se trata apenas de uma doutrina, mas de um modo de vida para o povo japonês, fazendo parte de suas vidas, tanto quanto o budismo. A diferença mais perceptível entre as duas doutrinas é que o xintoísmo normalmente fica a cargo dos momentos da vida, como nascimento, casamento e demais festividades, enquanto o budismo zen trata mais do além vida, ou seja, dos cultos fúnebres.

Por conta disso, nos espaços xintoístas são realizados todos os tipos de cerimônias, desde a celebração de um nascimento ou uma cerimônia de casamento, até festivais como o Tanabata (em que as pessoas costumam escrever seus desejos em tiras de papel, que são amarrados em ramos de bambu, para que possam alcançar os céus).

Assim como os grandes santuários cristãos são envolvidos pelo movimento do comércio local, no entorno dos santuários xintoístas, se instalam vibrantes comércios, com casas de chá, lojas de kimonos, restaurantes e todo tipo de comércio.

Já suas áreas verdes, que são encontradas ao redor do santuário servem como “ilhas de paz”, em contrates com a agitada vida no caótico mundo urbano. Estas áreas arborizadas que circundam os santuários xintoístas simbolizam os locais afastados das montanhas e têm significado sagrado.

Embora existam muitos parques no Japão, introduzidos no começo do século XX, por influência dos parques ocidentais, as pequenas reservas verdes dos santuários xintoístas continuam e refletir uma atmosfera diferenciada e, por isso, muito particular que vale a pena ser experimentada.

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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