Treinamento de Instrutores da JKA

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Kenshusei-JKA
UM POUCO DA HISTÓRIA
Texto: Sensei Roberto C. Sant’Anna, 6º Dan, Instrutor de Karatê JKA

Olá amigos,
Muita gente me pergunta quem são os Instrutores que realmente se formaram no Infame Curso de Profissionais da JKA (Japan Karatê Association), conhecido como Kenshusei.
Existe no site da Organização uma lista dos graduados, mas existem nomes omissos ali. Depois de pesquisar a fundo o assunto, acho que tenho algo interessante a dizer aqui. Não me importo se algumas pessoas ficarão chateadas comigo, mas a verdade tem que ser dita!
O treinamento Especial para a formação de Instrutores da JKA teve inicio em abril de 1956, em Tokyo, na sede da Japan Karatê Association, tendo como idealizadores Senseis Masatoshi Nakayama e Takagi Hideo. Chegara a hora de levar o Karatê do Shotokan para o mundo todo, já que Funakoshi Sensei o apresentou ao Japão e foi o principal responsável pela difusão da Arte Marcial por aqueles lados.
Acontece, que assim como no Brasil, naquela época, começaram a aparecer muitas pessoas se intitulando Mestres de Karatê, mas que, infelizmente não eram reconhecidos por nenhuma autoridade no assunto.
Preocupado com o resultado desastroso que isso poderia surtir no meio, Funakoshi Sensei pediu a Nakayama que providenciasse um Curso para a formação de Profissionais altamente capacitados para Instruir o Karatê-Dô e o difundir nos 4 cantos do Planeta.

No inicio, o Curso era assim dividido:
Grupo 1 – Faixas Pretas a partir de Nidan e que seriam Profissionais em tempo Integral; duração do Curso 1 ano.
Grupo 2 – Faixas Pretas Shodan ou acima, mas que seriam Profissionais do Karatê apenas em tempo parcial, já que tinham outra Profissão principal; duração do Curso 2 anos.

No inicio, o Curso era aberto somente para japoneses. A partir do final dos anos 60, muitos ocidentais já graduados Faixas Pretas, na curiosidade de tentar fazer o Curso, se aplicaram a ele e foram deixados a participar, porém de forma parcial. Poderiam participar dos treinamentos, juntamente com os colegas nipônicos, porém não seriam diplomados pela organização. Motivo??? Obvio que não queriam problemas de concorrência na área.
Não podiam perder o controle sobre seus Instrutores. Japoneses são subservientes vitalícios nas empresas que trabalham e os ocidentais poderiam dar problemas para a organização mais tarde, principalmente disputando espaço em seus países.
Conheci alguns Instrutores que participaram durante algum tempo nesses treinamentos. Alguns estiveram ali, por ate 3 anos, e não receberam nada para confirmar sua presença; eram tratados como iguais dentro do Dojo, porém não tinham liberdade nem direito de graduar alunos para Yudansha(faixas Pretas Oficiais).
Para estrangeiros, a duração do Curso seria 3 anos, um a mais do que aos seus colegas do Japão.
Tivemos do Brasil, o Sr. Ennio Vezulli, ex-aluno de Sensei Taketo Okuda, que estagiou no Curso por 2 anos(1977-79) e já nos anos 2000, Magno Miyasaki, ex-aluno de Sagara Sensei, que morou no Japão por cerca de 5 anos, treinando 2 anos no Hoitugan(Dojo de Nakayama SEnsei), sob o comando de Kawawada Sensei e depois mais 3 anos como candidato a Kenshusei.
Talvez tenha sido ele, o estrangeiro que mais tempo ficou no Curso. Mesmo assim, não o aprovaram no exame final, por causas desconhecidas pelo autor deste artigo. Suponho que seja pelo fato de que traria problemas para o atual Chefe da JKA aqui no Brasil, já que ele teria o Curso como diferencial para dirigir a organização daqui. O atual chefe da JKA, ficou cerca de 30 anos afastado da organização japonesa e estava totalmente desatualizado tecnicamente falando. Tive noticias que somente agora, ele resolveu se atualizar na matéria. Antes tarde do que NUNCA não é mesmo?
Porém, voltemos ao problema do reconhecimento. Após a divisão da JKA, nos anos 90, Asai Sensei resolveu aceitar Richard Amos como integrante do Curso. Melhor ainda, aceito como um igual aos colegas nipônicos.
Foi um dos primeiros estrangeiros a terminar e receber Certificado de Instrutor da organização; do lado de Sigiura Sensei, outros apareceram também; nomes como Leon Montoya, Crockfort e outros poucos também fazem parte da lista.
Um fato curioso foi a omissão de Nigel Jackson Sensei da lista Oficial da JKA, já que este foi um dos pioneiros no Curso.
Okuda Sensei foi um de seus SENPAI no Curso, no final dos anos 60.
Outro fato interessante foi a não inclusão do nome de Malcolm Fisher Sensei, que aparece no Documentário HASHA, sobre a vida de Tanaka Masahiko. Ele, definitivamente concluiu os 3 anos de Curso, mas foi escandalosamente expulso da JKA logo após.
O autor deste artigo viu com seus próprios olhos uma carta escrita por Masahiko Tanaka, atestando o fato da conclusão do Curso e avalizando Sensei Fisher para quem se interessasse em contratá-lo.
Anos atras, a JKA publicou uma lista NEGRA, dos Instrutores que foram expulsos da Organização ou que deixaram-na. Como se isso adiantasse alguma coisa no sentido de desqualificar esses grandes mestres e Instrutores.
Para os responsáveis pelo site ou pela organização, um lembrete. O Karatê do não pertence a JKA; o Karatê, hoje em dia, pertence ao mundo.
Todos esses senhores são pessoas honradas que dariam suas vidas em nome da organização, enquanto estavam lá e foram embaixadores excepcionais da Arte onde quer que ensinaram. Nada vai tirar isso deles. Ninguém conseguira mudar a História do Karatê-Dô da JKA.
Enquanto houver a vaidade pelo PODER, ainda assim existirão muitos conflitos por vir. Enquanto isso, que tal ir treinar????
Fonte: Kenshusei Karatê Blog

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About Author

André Miranda

Nascido no Rio de Janeiro, mas, devido a sua ascendência nordestina, criado na Bahia, começou Karatê em 1988, na extinta Lince Karatê Clube, com a Sensei Amanda Barcelar Pires (primeira faixa-preta mulher da Bahia, aluna de Denilson Caribé - ASKABA). Graduou-se faixa preta pela FNAM, com o Sensei Masco Monteiro. De volta ao Rio de Janeiro, continuou seu treinamento com o Sensei Humberto Amorim (6º Dan), no Quartel São João da Urca, com quem continua treinando. Praticante do estilo Shotokan Ryu, o qual é 3º Dan, em 2009 começou a praticar Jiu-Jitsu (sob a orientação do Sensei Gustavo Souza - 6º Dan) e Aikido (sob a orientação do Sensei Luciano Santana - 4º Dan). Amante da cultura Japonesa fundou o Instituto Ishindo, onde busca difundir a cultura e tradição marcial japonesa.

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